Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

terça-feira, outubro 31, 2006

Terça insana


Uma leve dor de cabeça me impede de raciocinar da maneira que eu gostaria para que esse post tenha qualidade; se bem que, a contar pelo tempo que eu não contribuo com uma linha sequer para esse blog, qualquer coisa que eu escreva será válida.
Apesar de eu me considerar a anos-luz de distância do perfeccionismo, pelo menos em trabalhos, textos e afins (minhas margens nunca tiveram 2,0 cm nos quatro lados), sou perfeccionista comigo mesma; exijo coisas que qualquer ser racional saberia que, provavelmente, não podem se concretizar, pelo menos da maneira detalhada e ilusória que a minha cabecinha imagina. Talvez o grande número de frustrações que acontecem na vida venha dessa atitude que nós, seres humanos teimosos e cabeças duras, insistimos em manter, mesmo percebendo que é muito mais fácil dar o braço a torcer em algumas coisas e deixar o orgulho de lado.
Não, esse não é um texto pessimista. Muito pelo contrário. É um texto estimulante. Porque não há estímulo maior para crescer do que encontrar as cordas que nos prendem ao chão; depois de descobrir qual é o “freio-de-mão”, basta tomar o impulso necessário para se desvencilhar disso e recomeçar a caminhada. Será que é tão difícil abandonar velhos hábitos, velhos lugares, velhos amores? Não, não é. Como diz um amigo meu: “a fila tem que andar. No começo, ela não vai anda pro lado que você quer, mas depois de uns caminhos errados ela toma o rumo certo”.
E é isso mesmo. Depois de umas trombadas vêm as recompensas. Acho que descobri a origem da dor de cabeça; estou na fase das trombadas.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Post Pós-Aniversário


Escrever o que está passando pela minha cabeça hoje? Ahn, a homenagem da Taís e da Mariana foi ótima ontem. O presente da Taís será guardado pro resto da vida. E o texto da Má vai pro post de hoje. P.S= se minha vida nada mais na minha vida valer a pena, o valor que essas pessoas tem pra mim já é mais que suficiente pra minha sobrevivência.

CRAZYYYYYYY!!!!

Gibb, sinto-lhe informar..mas você é louca!

Não, não é uma loucura proveniente da idade não. Você ainda é jovem - nineteen. Preocupações deste tipo descartadas.

Sua loucura é extra-humana (neologismo?!). Talvez você já tenha pensado sobre isto, mas certamente obteve conclusões fortuitas. Nada detalhadamente descrito e empiricamente comprovado. Pois bem. You´re crazy. Do you know why?

Você é louca porque tem personalidade. Não copia, cria.

Você é louca porque escreve o que pensa, faz o que fala, expressa o que sente. Não mente!

Você é louca porque tenta enxergar as pessoas no seu âmago profundo (redundância? Que seja!) As problemáticas humanas e equações aritméticas de segundo grau sem coeficiente explícito são passatempos para você. Compreende-as. Tira de letra...ou de número. Tanto faz.

Você é louca porque é humana. Não na acepção biológica da palavra, mas sim verdadeira. No Aurélio: humano adj. 1. Relativo ao hormem bondoso, próprio do homem 2. Humanitário.

Você é louca porque vai atrás dos seus sonhos mesmo com muitos obstáculos atrapalhando sua caminhada. Aliás, você é tão louca que não faz caminhada e sim uma viagem. Buracos na pista podem até furar seu pneu, mas que você segue a viagem rumo ao objetivo, só na calota, você segue!

Você é louca porque é amiga. Isso A.M.I.G.A.:Afável Mulher Impertubável e Guia Afetuoso.

Você é louca porque ri, sorrir, dá gargalhada, graceja, escarnece, mostra os dentes, contrai os músculos faciais provocando lágrimas.

Você é louca porque adora preto e vermelho e faz do seu mundo desta cor. Na associação corriqueira tem-se: preto = morte ; vermelho = sangue. Veja só as monstruosidades que surgem destas cores!

Completely insane!

Louco é aquele que procura o conceito da loucura dentro de um sanatório!!

Mariana Lobo Zanata

segunda-feira, outubro 23, 2006

Tempos felizes

Realmente, tudo depende do ponto de vista. O que parece ruim pra você hoje pode se transformar numa maravilha amanhã; o que te perturba passa a te trazer consolo, pessoas inesperadas se tornam importantes e o mundo continua a dar suas voltas. Você percebe que é “normal” e que a hipocrisia existe, mas com sorte não te atinge. Recebe de presente a aceitação, não que isso tenha muita importância, mas na vida em sociedade é imprecindível a interação, e interagir com quem não te entende é muito complicado; se sentir aceito é bom pra perceber que mesmo com as diferenças você é um ser humano como outro qualquer.
Esses dias eu chorei ao perceber o quanto sou egoísta; reclamo dos problemas, mas encarei a situação de me imaginar sem os meus problemas, e de lambuja também esquecer de tudo o que eles me ensinaram; não gostei nem um pouco.
Bom, texto sem muita inspiração filosófica, mas com muita alegria, afinal é aniversário da Gibb; felicidades a ela que, mais do que ninguém, me entende, me aconselha, me mostra o “outro lado” e não me julga.
Menina, você merece todas as felicidades que Papai do Céu (ou o boneco do chaveiro) pode te dar; porque a vida, se não é fácil hoje, está te preparando pras várias maravilhas que estão por vir. Como você mesma diz, viva os “desaniversários”. Mas também aproveite o dia de hoje, pois ele é todo seu.
Sim, esses são tempos felizes; não felizes pela falta de problemas, mas pela motivação em superá-los.

1.9

Acabei de completar 19 anos. Esse ano foi diferente. Nem teve festa. A rotina absorveu nossas vidas. Mas não estou infeliz. E quero passar no vestibular. Também quero continuar agüentando estudar tantas coisas que considero pouco úteis. Depois de tudo isso, faculdade, vida..., eu vou pro céu. Ando sentindo um alívio tão imenso ultimamente.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Hou! hou! How?

É Natal e só a Taís sabe porque.

domingo, outubro 15, 2006

Desejos


Todo mundo tem desejos na vida; as vontades são muitas e muitas vezes não conseguimos realizar tudo o que gostaríamos no breve período em que habitamos a Terra. Não estou falando a respeito dos desejos materiais, como ter uma cobertura no Morumbi ou um carro 0 Km; quero me referir àquelas coisas que dependem mais da gente mesmo do que de qualquer outro habitante do universo.
Eu queria muitas coisas. Queria saber dirigir, cantar, tocar piano, violão, nadar de costas e dar um duplo twist carpado. Queria acordar mais cedo, fazer mais exercícios e ter menos medo do futuro. Gostaria de poder ter as respostas pras minhas dúvidas, saber se meu amor é correspondido e entender porque sempre nos interessamos pelos "caras errados”. Queria ter menos medo das provas da faculdade, ter mais tempo pra estudar pras provas da faculdade e entender porque o final de semana passa bem mais rápido do que as três aulas de IED da segunda-feira.
Queria me apegar menos as lembranças e mais à realidade; queria ver o pôr-do-sol de cima de uma montanha e apreciar a alvorada sentada na areia das praias da Bahia. Queria pular de bung jump e sentir o vento no rosto e a sensação de liberdade; correr por um campo aberto tendo somente o horizonte à minha frente; viajar o mundo todo com uma mochila nas costas, conhecendo pessoas e lugares novos. Acreditar mais em mim mesma e menos nas minhas fantasias.
É, são muitos os desejos, alguns podem parecer idiotas, outros impossíveis de se realizar, eu sei disso. Mas o que eu mais quero, do fundo do coração, e se um gênio da lâmpada aparecesse aqui agora e me dissesse que tenho direito a UM pedido, a minha reação seria simples; pediria pra que quando minha vida chegar ao fim, não importa quantos anos eu tenha, eu sinta em meu coração, ardendo como ferro em brasa, que tudo, mas tudo mesmo, valeu à pena. Não há nada que eu deseje mais do que saber que a minha vida não foi uma sucessão de fatos aleatórios, e sim um conjunto de acontecimentos que me guiaram pra felicidade.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A Revolta dos Dândis

Engenheiros do Hawaii - A Revolta dos Dândis
Entre um rosto e um retrato
O real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro da mesma bebida
Entre tantos mortos
Com a mesma ferida

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre americanos e soviéticos
Gregos e troianos
Entra ano e sai ano
Sempre os mesmos planos
Entre a minha boca e a tua
Há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Eu me sinto um estrangeiro

segunda-feira, outubro 09, 2006

Diálogo de uma tarde ensolarada

__ Olha que legal as crianças jogando bets!

__ Ai Gi, quando eu era criança a coisa mais legal do mundo era isso, a coisa que eu mais gostava na vida era jogar com as crianças.

__ Eu nunca joguei.

__ Nossa!

__ É, vocês nunca me deixaram brincar na rua com as outras crianças.

domingo, outubro 08, 2006

Vivendo e aprendendo; errando e se...

Sabe quando tudo é tão pesado que não há forças pra tirá-lo de você?! Quando a dor vem de dentro, ela é ainda pior; decepcionar-se com o mundo pode não ser fácil, mas você pode pelo menos olhar pra um outro canto e tentar acreditar que as coisas mudaram. Mas e quando o objeto da decepção é você mesmo? Não dá pra fugir, se transportar pra um outro corpo ou pra uma realidade paralela em que você não seja você. E a batalha se torna demorada e desgastante. Por mais que os outros digam que nada mudou, você sabe que passará a enxergar os fatos com outros olhos; por mais que os outros (sempre os outros) digam pra não se preocupar porque “é tudo coisa da sua cabeça”, a sua cabeça pesa mais de uma tonelada.
Mas como nada na vida acontece por acaso, nesses momentos de
self crisis você percebe que até aquelas pessoas que julgava “incapazes de agir por impulso e fortes emoções” o fazem; percebe que todos somos seres humanos, com sentimentos e fraquezas, medos e arrependimentos, mas, acima de tudo, experiências que acrescentam mais, principalmente porque machucaram muito quando aconteceram.
“Vivendo e aprendendo” – acredito que esse chavão não está tão correto assim, apesar de muito usado; mais correto seria “vivendo e errando, aprendendo com esses erros”. Afinal, as lições mais marcantes nem sempre são as mais agradáveis.

sábado, outubro 07, 2006

So sweet, but...

Eu queria saber se o meu mundo é maior ou menor que o das outras pessoas. Sempre penso que me conheço muito bem mas as vezes me surpreendo e é como se eu fosse uma estranha. Hoje, quando penso na minha vida daqui a alguns meses, não consigo imaginar nada. Quando penso no dia seguinte eu sei que vou ter preguiça de estudar mas que mesmo assim preciso faze-lo. Então não sei como será nem ao menos meu próximo dia. Também não consigo escrever nada feliz e não-patético-trágico-existencialista-negativista-tragicista. Não sei se estou triste ou feliz. Devia haver um nome para o que eu sinto, eu não conheço a palavra, nem você. Estranho eu estar numa época em que devia ter muitas expectativas e mesmo assim não as ter, não me sentir estimulada. Será que eu virei uma COISA? Minha visão de mundo tornou-se sem muita graça. Sinto que já vivi o suficiente pra conhecer as pessoas e até pra enjoar e desistir de algumas coisas daqui e sinto que não vivi para desconhecer muitas coisas. Mereço viver ou morrer? Eu queria me preocupar, porém só me preocupo com o fato de não me preocupar. Isto sou eu nesses dias.

quarta-feira, outubro 04, 2006

±

Eu tou bem. Mas não tou. Não tou muito aí pras coisas. Não tou muito bem. Estranho é que sempre passa. Dessa vez não passou ainda.

Belle & Sebastian - Get Me Away From Here, I'm Dying

Ooh! Get me away from here I'm dying
Play me a song to set me free
Nobody writes them like they used to
So it may as well be me
Here on my own now after hours
Here on my own now on a bus
Think of it this way
You could either be successful or be us
With our winning smiles, and us
With our catchy tunes, and us
Now we're photogenic
You know, we don't stand a chance

Oh, I'll settle down with some old story
About a boy who's just like me
Thought there was love in everything and everyone
You're so naive!
After a while they always get it
They always reach a sorry end
Still it was worth it as I turned the pages solemnly,
and then
With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings

Oh, that wasn't what I meant to say at all
From where I'm sitting, rain
Washing against the lonely tenement
Has set my mind to wander
Into the windows of my lovers
They never know unless I write
"This is no declaration, I just thought I'd let you
know goodbye"
Said the hero in the story
"It is mightier than swords
I could kill you sure
But I could only make you cry with these words" .

segunda-feira, outubro 02, 2006

Sempre.

Você tem expectativas de que quando crescer tudo vai ser diferente. Você vai ser igual até a sua aposentadoria. Sempre a mesma pessoa. E os outros vão ser adultos, vão ser velhos. No começo, meio e fim é sempre você contra você mesmo. O mundo existe e as pessoas são exatamente da maneira como você pensa que ele é.

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Descobri que por mais que as horas passem, a Terra gire e Plutão passe a ser considerado um “planeta-anão”, minha vida não muda se eu não tomo as decisões necessárias. Porque o passado é um fantasma que arrasta correntes e usa um lençol, daqueles bem toscos e artificiais, pra mostrar que estará sempre ali enquanto você não colocar um ponto final em todos os começos.
Coisas, pessoas, e situações; sempre damos um jeito de fugir delas e criar a fantasia que mais nos aprouver pra fazer com que a decepção seja mais facilmente absorvida e a nova condição seja administrada. Mas certas coisas não morrem nem depois de serem enterradas; elas permanecem ali, feridas que precisavam de pontos, e que tiveram apenas um pequeno curativo, e com qualquer movimento brusco acabam se abrindo novamente.
Você pensa sem querer pensar, sonha sem querer sonhar e percebe que tudo o que demorou pra aceitar como fato nada mais era do que a sua própria versão de uma história que deveria ser bilateral. Você percebe que os motivos do insucesso eram os motivos que você queria que fossem verdade, mas não eram; percebe que o esforço dos outros poderia ter resultado num “the end” diferente, e que isso só não aconteceu porque os demais personagens da história não quiseram. Enfim, você passa a reexaminar com uma lupa acontecimentos que pareciam ter sido esmiuçados ao máximo, e chega a conclusão de que TUDO, TUDO o que você pensava ser verdade, era fantasia.
Bem, não é lá uma conclusão muito feliz, mas nada melhor do que um pouco de realismo e pés no chão pra essa vida ter sentido. Perceber que criamos essa ficção é uma maneira de evitar que no futuro sejamos pegos por esses mesmos monstros; feliz aquele que aprende com os próprios erros.
No final das contas, ser vivo é ser realista, otimista nos dias de sol e triste nos dias nublados, mas ter a esperança de que o sol vai nascer novamente. Ter coragem de se molhar um pouco hoje, e confiar que o calor do astro rei irá secá-lo. E, por mais racionalmente que se tente viver, ainda ter os sonhos que nos impulsionam pra esse mundo tão imprevisível.