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Descobri que por mais que as horas passem, a Terra gire e Plutão passe a ser considerado um “planeta-anão”, minha vida não muda se eu não tomo as decisões necessárias. Porque o passado é um fantasma que arrasta correntes e usa um lençol, daqueles bem toscos e artificiais, pra mostrar que estará sempre ali enquanto você não colocar um ponto final em todos os começos.
Coisas, pessoas, e situações; sempre damos um jeito de fugir delas e criar a fantasia que mais nos aprouver pra fazer com que a decepção seja mais facilmente absorvida e a nova condição seja administrada. Mas certas coisas não morrem nem depois de serem enterradas; elas permanecem ali, feridas que precisavam de pontos, e que tiveram apenas um pequeno curativo, e com qualquer movimento brusco acabam se abrindo novamente.
Você pensa sem querer pensar, sonha sem querer sonhar e percebe que tudo o que demorou pra aceitar como fato nada mais era do que a sua própria versão de uma história que deveria ser bilateral. Você percebe que os motivos do insucesso eram os motivos que você queria que fossem verdade, mas não eram; percebe que o esforço dos outros poderia ter resultado num “the end” diferente, e que isso só não aconteceu porque os demais personagens da história não quiseram. Enfim, você passa a reexaminar com uma lupa acontecimentos que pareciam ter sido esmiuçados ao máximo, e chega a conclusão de que TUDO, TUDO o que você pensava ser verdade, era fantasia.
Bem, não é lá uma conclusão muito feliz, mas nada melhor do que um pouco de realismo e pés no chão pra essa vida ter sentido. Perceber que criamos essa ficção é uma maneira de evitar que no futuro sejamos pegos por esses mesmos monstros; feliz aquele que aprende com os próprios erros.
No final das contas, ser vivo é ser realista, otimista nos dias de sol e triste nos dias nublados, mas ter a esperança de que o sol vai nascer novamente. Ter coragem de se molhar um pouco hoje, e confiar que o calor do astro rei irá secá-lo. E, por mais racionalmente que se tente viver, ainda ter os sonhos que nos impulsionam pra esse mundo tão imprevisível.

1 Comments:
ainda bem que tem dias de sol. q lindo seu texto.
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