Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

sábado, setembro 30, 2006

Ça va? Ça va.

Alguém me disse: “Tem um tipo de sofrimento que não sai nos jornais”. Tem gente que tem umas feridas costuradas e cheias de nós que são tão vivas como cicatrizes na pele, já saradas mais ainda existem, e nunca nos abandonarão. Sempre estarão lá para lembrar de algo, seja bom, ruim, ou os dois. Não sei, mas isso fragmenta tanto os objetivos, como quando coisas são tão boas que podem se tornar muito ruins de repente, tipo mutação, recombinação gênica, essas coisas. Aí nem com olhos fechados minhas reflexões têm cores tão nítidas. Tem uma expressão, “carregar o mundo nas costas”, acho que serve pra todos. Cada um carrega seu mundo, que é diferente de todos os outros, pelo menos algum detalhe deve ter de diferente. Tem mundos que são tão leves que seus pesos nem são levados em consideração, tem outros que são grandes e pesados. Meu mundo, penso eu, é tão grande que até sobra espaço em demasia. Eu moro em uma cidade pequena pra caramba, numa casa pequena, sou baixinha, mais o meu mundo pseudoconcreto, julgo ser grande. Ao mesmo tempo que chega a ser vazio de tão grande, também é muito lotado que nem cabe na minha cabeça. E essa conversa está parecendo coisa de maconheiro. Um dia eu converso com mais pessoas sobre isso, hoje não.

quarta-feira, setembro 27, 2006

I’ll never look back again(?)

Dying to be alive
“I heard you crying/Somebody stole my soul/How could I be dying/I turned twenty five days ago/ We’re on the ground crying out/Would somebody save me please/ I won’t sit around/Just thinking about the troubles that tomorrow brings/I’m dying to be alive/ Let’s not go through our lives/Without just dying to be alive/The people you’ve touched/The way that you’ve touched them/I hope they’ve touched you too/’Cause in this life it’s hard to tell/What’s false and what is true/And we all come tumbling down/No matter how strong/We all return to the ground/Another day gone/A day closer to fate/And soon we’ll find it’s a little bit too late/Too late.”

Continuando a série de músicas de gosto duvidoso, sim, eu ouvia Hanson. E gostava. Naqueles dias de ódio de adolescente pseudo-hiper-rebelde-fugitivo eu ouvia essa música e a considerava non sense. Agora que cresci um pouquinho relembro o que me passava pela cabeça: “ground? chão? campo? parque? pessoas espalhadas em um campo num dia nublado?”. Certo, certo, digo, errado. Eu descobri que a minha vida é cíclica, que eu sempre vou parar não num campo úmido de lágrimas, bucólico ou com pessoas chorando por todos os buracos do corpo, mas que eu sempre caio por terra, nesse chãozinho podre e solitário da minha vida. Não importa o quanto eu me fortaleça, um dia acabo caindo. Sei o que fazer para não cair, mais caio mesmo assim. E culpo fatores tão bobinhos. O fato-analogia abstrato que a minha mente criou agora pouco é que o mundo é um labirinto, e muitas pessoas entram nele mais permanecem paradas em certos pontos chorando de medo e solidão. Mas se são muitas e não somente uma pessoa triste e chorona, então tem alguém do outro lado da sua parede chorando também, ou na parede ao lado, ou depois da curva. Porém você nunca a encontrará, mesmo estando ao seu lado, porque está ocupado consigo mesmo e a outra pessoa também é idêntica a você. Todos são idênticos. Ninguém sai pelo labirinto gritando de braços abertos. Todos são equilibrados, auto-suficientes, acertados e se acham únicos a ponto de tatuarem um sinal “≠” em suas testas durante o dia e à noite, sob(sob!) seus travesseiros gemem de angústia por algo ou alguém que falta em suas vidas e cultivam poças de lágrimas ao seu redor. Mal sabem que se enxergarem um palmo a frente de seus olhinhos verão alguém com um lenço e um secador de olhos. O orgulho não nos deixa procurar. Sim, eu também me sinto sozinha de vez em quando.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Discutível perfeição


“Por favor não me idealize
Assim você tá fadado ao deslize
Verdade seja dita
Nada mais me irrita
Do que essa estupidez
É melhor você ter certeza
Tô longe de ser a Madre Tereza
Não pise no meu calo
Ou viro bicho e falo o que não quer ouvir
Admito, eu vivo maquiada
Minha vida é mesmo tão sofisticada
Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro
Eu também preciso ir ao banheiro
Já tá mais do que comprovado
Mentira um dia escorre pelo ralo
Taxada de mimada,
Rapunzel aprisionada
Eu nem vou ligar
Preste atenção, tome cuidado
Boca fechada não entra mosquito, diz o ditado
Respeite meus longos anos de estrada
De boba é que eu não tenho nada
A princesa também
Sente, chora, sofre,
Sonha e ouve não,
Também mente, é inconseqüente,
Tem preguiça,
Perde a direção
Porque ninguém nesse mundo é cem por cento
Cheio de razão
Me recuso a buscar essa
Discutível perfeição”


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Bom, música de gosto duvidoso, mas que tem muito a ver com um ponto de vista das singelas escritoras desse blog: não tem nada mais insuportável do que alguém que te acha perfeita.Tem pessoas que acreditam que podem nos conquistar nos colocando num pedestal, mas isso não surte muito efeito, pelo menos comigo. É que não deve ser fácil conviver com alguém que acredita que você não tem defeitos; porque uma coisa é ignorar as falhas que todos temos, outra completamente diferente é ter a certeza de que elas não existem. Não dá pra dividir sua vida com pessoas que te vêem como uma santa perfeita, porque acabamos deixando de agir espontaneamente com medo de que a imagem que essas pessoas têm a nosso respeito mude, e o sentimento dela também. Por isso eu defendo a idéia de que se você realmente gosta de uma pessoa, isso deve incluir as partes boas e ruins, sem idealizações ou falsas qualidades. É próprio do ser humano ter características virtuosas e outras nem tanto.Sou humana e tenho meus defeitos; por isso, prefiro muito mais alguém que se disponha a me ajudar a contorna-los do que tapar o sol com a peneira do que fingir que eles não existem.

quarta-feira, setembro 20, 2006

God, I’m alive!!!


Liberdade é algo que se busca, que não nos é oferecida de bandeja. E todos nós conscientemente ou não, a buscamos. Em plena semana de provas ou em semanas pré-vestibular a gente enfia a liberdade na gaveta por um tempo. Isso é o que dizemos. Mas há uma duvida: talvez nunca fomos livres. Na verdade, ninguém é muito livre. Nem o suicida feliz é livre. O maior fator que determina nossas prisões somos nós mesmos e nossos aberrantes pontos de vista. O que mais nos tira a liberdade é o medo, que leva todos a viver de entrelinhas, de palavras soltas jogadas ao vento, sendo que as frases tão importantes a ser ditas são guardadas dentro de nós, pra depois virar poeira e cacos de lágrimas secas. Merci beaucoup.


De Onde Vem A Calma

Los Hermanos

Composição: Marcelo Camelo

De onde vem a calma daquele cara ?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente
ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito
que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Esta se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão

Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim.

segunda-feira, setembro 18, 2006

God, i'm alive.


Eu sei que ninguém sabe direito de onde vem e pra onde vai. Sei que metade, ou mais, das nossas vidas estão escritas em páginas de livros e que aprendemos tanto com os tolos como com os sábios. E você sabe que é verdade que todas as coisas voltam para você, sempre. Eu tenho medo de morrer amanhã e não poder mais fazer coisas que eu quero mais não faço. Eventualmente sinto que não respeito minha vida, porque a deixo correr por entre meus dedos, fora de controle. E a vida se escorre, se esvai. Aí eu percebo o quanto foi deixado para trás. Eu me olho no espelho e não me enxergo direito. E você? Você me vê? Não importa. Não! Importa sim. Porque o que somos importa pra nós e pra quem nos rodeia, e esse é a forma de nossa existência permanecer: a lembrança do que somos. Todo mundo quer ser lembrado, todo mundo quer ter importância no mundo. E todos vivem perdidos, cada um ao seu modo, nesse lugar onde pouco do que realmente é importante é valorizado. É uma pena que não podemos fazer muito pra mudar o mundo. Mais algo muito importante pode mudar a vida de cada um: sonhar. Quando não se sonha, perde-se a capacidade de viver e ser feliz. A ausência do próprio sonho nos faz infelizes e às pessoas ao nosso redor, torna tudo amargo e medonho, e cansativo. Vontade imprimir esse texto e colar na cidade toda. Sonhe. E sonhe até que seu sonho se realize.

domingo, setembro 17, 2006

Estória sem nome

“Havia dias em que ela olhava pro sol e agradecia; saia e sorria para estranhos na rua, tinha vontade de ajudar velhinhas a atravessarem o sinal e alimentar cachorrinhos abandonados. Outros dias, porém, ela tinha o peso do mundo no coração, sentia como se a angústia a corroesse, e não entendia o porquê. Tinha vontade de chorar, de gritar, de pedir pro maquinista dessa locomotiva louca chamada vida parar e deixar ela descer. Muito difícil entender tanta disparidade dentro da mesma pessoa, não?! Seria um transtorno bipolar?! Um desvio psicológico?! Não. Depois de algum tempo ela percebeu que era perfeitamente normal; tudo o que sentia nada mais era do que reflexo da sua realidade: ela era um ser humano.
Isso mesmo. Ela era descendente dos macacos, ou de Adão e Eva; bípede, racional, e talvez por essa racionalidade tinha extrema dificuldade em lidar com os tropeços e as surpresas da vida. Tinha medo de errar. Medo de falar. Medo de sentir.
Até que um dia ela resolveu se testar; seria a cobaia de suas próprias teorias; a menina que agia com a razão se deixou levar pelo coração, pela primeira vez. E gostou. Porque mesmo tendo um resultado diferente do desejado, as recompensas que a verdade trouxe foram melhores do que qualquer ilusão que ela criara sobre aquela situação.
Percebeu que o sol agora brilhava forte todos os dias, e que a água da chuva fazia um ruído todo especial ao bater no chão; se deu conta que a paz que tanto se busca no mundo, no trabalho, nos livros, estava dentro dela mesma. Percebeu que existem dias bons e ruins, que ninguém é perfeito e que amor e desejo são coisas completamente diferentes. Descobriu que a felicidade não deve ser esperada e sim conquistada; que o medo do amanhã não te deixa viver o hoje. E que fórmulas mágicas não curam as dores da alma.
Enfim, depois de perceber que dentro dela poderia habitar um oceano de sentimentos e desejos, frustrações e arrependimentos, medos e conquistas, ela resolveu recomeçar. Recomeçaria hoje, tentando conquistar seus objetivos. E tentaria de novo, e mais uma vez, e tentaria até que suas forças fossem embora. Porque ela era um ser humano. E isso é que é SER humano.”

quarta-feira, setembro 13, 2006

Problemas que vão e vêm

Em certos momentos a gente cansa da vida e dos problemas, aí dependendo da vida de cada um é possível tirar férias, ou não. Porque na verdade tudo o que existe e tudo que é do jeito que é, é fruto de nós, então tudo se torna relativo demais pra querer generalizar que todos somos meio parecidos, quando é fato que somos. Eu continuaria com a conversinha de sempre, mas, tenho a sensação de que tudo o que eu sou e o que penso já foi dito, e re-dizer não torna-se patético. Enfim, muito já foi vivido pelas pessoas que escrevem esse blog. Muito sentido, muito guardado e escondido. Muito demonstrado e falado. E escrito. E o motivo pra tanto às vezes se perde. O porque se esconde. Não sabemos a razão de estarmos aqui e vivermos isso tudo. Tantas coisas que não compreendemos. Talvez escrever um livro agora fosse uma boa idéia. Talvez seja. Porque queremos um recomeço, mesmo que com as velhas tristezas de sempre. No final vale a pena. Vai valer. http://www.youtube.com/watch?v=2oKeAt0yB2Q

Foto: Eduardo Garcia

terça-feira, setembro 12, 2006

Come on with the rain...


I'm singin' in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again.
I'm laughing at clouds
So dark up above,
The sun's in my heart
And I'm ready for love.
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I've a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just singin'
Singin' in the rain
Dancin' in the rain
la ri la la ri la,
I'm happy again!
I'm singin' and dancin' in the rain!
I'm dancin' and singin' in the rain...
I'm dancin' and singin' in the rain...
[Gene Kelly - Singing In The Rain]
Música nada nova, mas sempre gostei dessa coisa de chuva, e a letra dela, apesar de simples, transmite uma paz incrível.
Mas tem um outro porquê desse post: uma versão muito boa de "Singing in the rain" é cantada pelo Jamie Collum, a primeira (das muitas) músicas que eu ouvi dele.
*agradecimentos especiais à Karininha, Willian e ao Jornal da Globo pela dica valiosíssima!!

domingo, setembro 10, 2006

Re-surgir


Eis que renasço, como a fênix que sobe de suas próprias cinzas”. Aiai, forcei agora né?! Mas é que a semana foi, digamos, cheia de “experiências inesquecíveis”; a semana das primeiras vezes. E realmente a primeira vez não é lá tão boa.
Se os engraçadinhos de plantão já pensaram obscenidades, lamento informá-los mas, haha, isso não é um conto erótico nem o blog da
Bruna Surfistinha. O que aconteceu é que eu fui parar no hospital, pela primeira vez, com a pressão arterial quase no chão e muitos pontinhos pretos em frente aos olhos. Sem melodramaticidade, não vi a morte de perto ou coisa que o valha, mas me senti extremamente vulnerável; e como disse, não foi a primeira vez na semana que me senti vulnerável e exposta. Embora eu possa afirmar categoricamente que a verdade saiu com muito mais dificuldade do que todo o resto que estava dentro de mim nesses últimos dias; talvez seja porque pra se dizer o que se pensa não tem o detalhe do médico de jaleco e nem da agulha na veia.
Bom, mas nem só de dificuldades vive o homem! Também ressuscitou a camaleoa que existe aqui dentro; como diria vovó, “minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos...”. Se eu fosse a um psicólogo ele diria que essa minha vontade de mudar é fruto de algum distúrbio interno, mas como eu não tenho a opinião de nenhum especialista no assunto, quero crer que essa vontade é apenas estética – já que o interior, por incrível que pareça, está agradando.
Bom, a inspiração lírica pode faltar, mas pelo menos acontecimentos emocionantes não estão deixando a desejar. E já não sei mais se eu prefiro a calmaria ou a tempestade. Afinal, tudo tem a sua serventia.

sábado, setembro 09, 2006

Tempo sem tempo

Engraçado que quanto mais eu quero escrever menos a inspiração vem. Viu, tem tempos que eu escrevo um monte de ladainhas e nem sinto que talvez seja difícil pra maioria das pessoas conversar com o Word. O fato é que quando tudo fica preto e branco é que eu paro pra perceber o colorido. Esse blog, que sempre foi o caderninho de anotações dos nossos pensamentos andou meio calado ultimamente. Mas, não vamos ter pressa, porque de apressado já basta o tempo, vamos esperar os nossos silêncios serem quebrados, se é que ainda tem algum silencio com cacos não espalhados por aqui. Outro fato, nossa vida anda cheia e resta aumentar o volume no último pra se sentir melhor, pra não pensar demais. Tanta coisa pra fazer, pra estudar, pra trabalhar. Acabamos vendo muita coisa e enxergamos muito pouco. Andamos vivendo tanto, ou corremos vivendo tanto, rs, não sei. Vivemos até coisas que não queríamos viver, coisas que procuramos, coisas que não procuramos. Às vezes, sem que se espere, algumas lembranças vêm, e lembro de cada coisa... Nem sabia que lembrava de tanto. Depois esqueço de novo. Na verdade, queria saber de várias coisas, mas muitas delas estão fora do meu alcance(prefiro acreditar que estão fora do meu alcance). Tem um lugar em todo mundo onde se aprende a odiar para não morrer de amor. E tem umas coisas que eu não consigo entender. Moi! Ne estressé pas moi, sil vous plâit!

quinta-feira, setembro 07, 2006

Frio

11 da noite, frio e vento. O tepmo ta toa frio, fiac difciil de escervrer. Aét de pnesar. E eu tinha q pôr a culpa em algo. A culpa é mesmo a minha indisposição pras muitas coisas.

O tempo modifica a chacina. As experiências repintam o que já existe na memória. Pra gente ver... Como a esperança é um saldo remanescente... Sempre... Bom... Deixo aqui a cada dia os detalhes, para meu mental de bordo... Visionário. O destino é um sonho. A vida é alguém falando da infância roubada em meio a sonhos. Depois fala dos adultos, dos quais os sonhos vão sendo trocados pelo instinto de sobrevivência, e eterna mágoa. Flores mortas, como o palhaço, como o verão... As cores gritam no esquálido cenário. Sorrisos que atraem finais de raios de sol. As pessoas não prestam.

Eterna magoa - Augustos dos Anjos O homem por sobre quem caiu a praga Da tristeza do Mundo, o homem que é triste Para todos os séculos existe E nunca mais o seu pesar se apaga! Não crê em nada, pois, nada há que traga Consolo a Magoa, a que só ele assiste. Quer resistir, e quanto mais resiste Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga. Sabe que sofre, mas o que não sabe É que essa magoa infinda assim, não cabe Na sua vida, é que essa magoa infinda Transpõe a vida do seu corpo inerme; E quando esse homem se transforma em verme É essa magoa que o acompanha ainda!

terça-feira, setembro 05, 2006

Inominável


Sabe o que mais me assusta na vida?! É tomar as rédeas dessa carruagem celeste e guiá-la da maneira que eu bem entender. É muito fácil entoar o mantra “deixa-a-vida-me-levar-vida-leva-eu” e culpar o sol, a lua, o tempo, o vizinho e até o cachorro pelos acontecimentos – ou falta deles.
Essa postura, que muitos acreditam ser uma virtude, pois demonstra que a pessoa tem paciência e espera que as coisas aconteçam no “tempo certo”, pra mim tem outro nome: passividade. Sei lá se essa palavra existe, mas a idéia dela é muito simples; ser passivo diante dos fatos pode sim ser bom, porque – volto a repetir – tem certas coisas que não alcançamos. Outras, e ouso afirmar, a grande maioria das outras coisas, dependem muito de um posicionamento nosso. E a omissão, válvula de escape em 99,9% dos casos em que nos encontramos (ou nos consideramos) em um “beco sem saída”, causa mais danos a longo prazo do que se pode imaginar.
Por mais que as conseqüências das atitudes não nos contente momentaneamente, perceberemos que o que foi feito era o que deveria ser feito, que a coragem não está em guerrearmos com um exército de 1000 homens, mas sim travarmos uma batalha com nós mesmos. Batalha ingrata essa, mas que sempre traz algum fruto.
Hoje pela manhã ouvi uma frase meio tosca, mas vou reproduzi-la: “Se você não resolver os problemas do seu coração, mais cedo ou mais tarde um cardiologista acabará resolvendo-os”. Guardar dúvidas e sentimentos prejuciciais acaba sendo um veneno - veneno que nós mesmos inoculamos nas veias.
Bem por isso, saí, olhei pro sol brilhando e pro céu azul e repeti pra mim mesma que devo ser maior que tudo; maior que a vergonha, maior que o medo, maior que o arrependimento... só isso pode dar a coragem necessária pra guiar a carruagem e viver as surpresas e as batalhas de cada dia.

domingo, setembro 03, 2006

É isso aí


Por mais que a mente faça predileções de como as coisas vão se desenvolver, os acontecimentos são sempre guiados pelo momento em que acontecem. E nada como o momento para ter o poder e a incrível capacidade de fugir e se esquivar de tudo aquilo que durante muito tempo tentamos planejar.
Enfim, são minutos em que expomos aquilo que a duras penas tentamos esconder, dissimular, com um esforço quase sobrehumano. Assim como a chuva torrencial arrasta com suas águas tudo o que está no chão, a chuva de emoções traz à realidade os mais variados sentimentos. Raiva... paixão... ódio... alegria... insegurança... arrependimento... amor. Tudo vem à tona, como pipocas que estouram numa panela sem tampa (analogia medíocre, mas é a única que me veio na cabeça).
O clarão dos relâmpagos é o mesmo que ilumina a cena que tanto se tentou evitar. Não por falta de vontade, mas por excesso dela. É que nem sempre o que se quer se pode ter, e mesmo que se tenha, não é da maneira que se deseja. Pseudo-contentamentos servem apenas para tapar com massinha buracos que precisam de concreto; e o remendo acaba prejudicando ainda mais o conserto.
É isso aí. Depois as chuva vem o frio, e com ele a escuridão e o medo. Medo de ter errado, de ter se exposto, medo dos outros, medo de você mesmo. E o que mais perturba é não se arrepender. Porque quem se arrepende pode buscar a clemência e a absolvição. Mas e quem tem certeza de que não errou, e bem por isso acredita que o arrependimento é desnecessário?! Será que é egoísmo demais querer acreditar que as coisas acontecem porque têm que acontecer e ter a esperança de que não sejam em vão?!
Se sentir perdido é normal. Querer ser feliz também. Mas ninguém consegue ser feliz sem paz – interior e exterior. É, porque na vida nós não vivemos rodeados de pessoas apenas por convenção. Muitas delas assumem significado relevante em nossa existência; e externar isso acaba sendo mais difícil do que fugir de uma tempestade no deserto.

sábado, setembro 02, 2006

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Ainda falando de tempo...Em alguns momentos é necessário um recomeço. Eu quero algo novo, ainda que com as mesmas velhas tristezas. É estranho quando as coisas não acontecem da maneira que não queremos. Nós choramos, brigamos, surtamos, tampamos a realidade. E quanto mais tempo passa, pior fica, ou melhor. Hoje eu descobri que o tempo não é “remédio”, ele simplesmente é um intensificador, para o bem ou para o mal. E essa é a utilidade do tempo, nos lembrar a cada minuto o que devemos fazer, o que devemos fazer não... ele nos aconselha. Às vezes, ele está errado, afinal, não só humanos erram. Não se apegue muito a ele, ele ainda pode te dar uma rasteira. O tempo passa, passa, passa... e dá voltas e mais voltas. Nos joga no ponto de partida. Mas, o tempo, somente ele, vai nos dar a resposta do que pode ser mudado. Afinal, a gente cresce, chega o amadurecimento, e a gente percebe. Sempre percebemos. Não existe fórmula nem regra, sim opiniões e sonhos, ideologias. Nenhum ser humano é igual. Ouça os outros, mas não seja eles. O tempo é bem útil, se soubermos aproveitar, se soubermos viver em paz com ele. Porque TUDO é questão de tempo. Desde o seu romance à rugas que aparecerão na sua testa.