Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

segunda-feira, julho 31, 2006

Novos começos

Ao contrário das cartas suicidas, eu escrevo que a minha vida teve poucos momentos de raiva e ódio(nem tão poucos, mais dá pra contar nos dedos) e tantos momentos legais que com 18 anos eu já perdi a conta. Mais eis que começa uma outra vida, sem morte. É o cursinho minha gente!Como tudo passa, esse final de semana passou e tudo volta à normalidade feliz de sempre, tive ódio sim, com pausa pra festa da Taís, mais talvez eu tenha merecido. Você tem coragem de ouvir Aliene Ma'riage seguidas vezes até seu cérebro travar e depois falar com Deus em voz alta? Ruim é quando o que está em contrução parece estar em ruínas, afinal, são parecidos.Bom, como diz Andrew Bird, "Let´s sing another song, boys", vou mudar o disco e passar da contemplação para a ação e vou pra aula hoje, porque a pior das fraudes é enganar-se a si mesmo e o sucesso nunca vem antes do trabalho. Agradeço por minhas vontades gostarem da liberdade. Vamos ouvir Fly away from here?

domingo, julho 30, 2006

Laços

Mamãe, papai, filhinhos
Amor
Tios, tias, primos
Terror
Vovó e vovô
A versão sênior
Família é uma coisa singular
Todas têm a mesma essência, partem das mesmas premissas
Mas são diferentes
Família é cumulativa – você pode ter a sua e ainda fazer parte de outras
A do amigo
Do namorado
Do vizinho
Impossível descrever a família perfeita
Brigas, discussões, chineladas, isso faz parte
Mas o companheirismo é característica presente na maioria delas
A mãe que abre a porta de madrugada
O pai que compra doces na padaria da esquina
E naquelas em que esse ingrediente falta – momentânea ou geralmente
Entram em cena as famílias postiças, que têm amor de sobra
Mamãe, papai, filhinhos
O chão
Tios, tias, primos
Uma mão
Vovó e vovô
Proteção
Torcemos o nariz pro prato de beterraba
E pro horário pra voltar pra casa
Festejamos juntos nos aniversários
Na festa de formatura
No nascimento dos novos membros
Perto, longe, não importa
Sempre seremos motivos de orgulho daqueles que nos trouxeram – e nos mantém nesse mundo
Mesmo que não saibam demonstrar
Mesmo que o jeito de amar seja “torto”
Mamãe, papai, filhinhos
Guerrilha
Tios, tias, primos
Quadrilha
Vovó e vovô

FAMÍLIA

sábado, julho 29, 2006

Anger

Paroxismo de dor. Pesada, a raiva escorre na ampulheta. Injusta agonia nos olhos das crianças. Se as circunstâncias não são simpáticas ou misericordiosas, por que deveríamos assim ser? Hostilidade e antipatia são a única trilha a mim possível em várias situações, basicamente. Porque me foi mandado — ou melhor, jogado na cara — um presságio de como as coisas podem dar errado quando se tenta sair da defensiva e tentar levar as coisas na boa. E a verdade descortinou-se diante de mim: a simpatia não presta pra ser usada com algumas pessoas. Ontem eu tive dor de cabeça suficiente pra dormir às 6 da tarde sem nem tomar banho ou jantar. Tive que fazer isso na madrugada de hoje.
A fúria volta. É só na base da agressão que pode-se conseguir algo. Quando não nascemos predestinados — favorecidos pela genética — às coisas boas, então devemos nos juntar aos demônios (oni) e causar a destruição. Eu falo serio. Age of rage.
Hahahaha(não é sério).
Anger management — que será, a partir de agora, chamado de "administração da raiva", nesse texto — é algo difícil e que requer muita habilidade para ser feito. A coisa certa a ser feita é juntar toda a fúria num único instante, e desferir um golpe magnificente e certeiro que termine por vez com a existência do mal. Claro que isso é difícil de ser feito, e, na maioria das vezes, acabamos por administrar a raiva sobre o alvo errado. Mais quando você acerta o alvo e este nunca se extingue, quando se percebe que ele sempre permanecerá lá, soberano, então não sei o que fazer.
Você leu o texto do último post? Claro que não, uma vez que você nem deve estar lendo esse! Vamos imaginar uma utopia aqui, em que você de fato LÊ os captions, sim? Pois bem, no texto anterior, eu falhei em administrar minha raiva apropriadamente — no alvo causador de minha miséria—, descarregando sobre mim, num ato auto-destrutivo falando de afeto ocultado e a necessidade de ignorar sua fonte, concordo na parte de afirmar que nada disso é minha culpa. Um meio-termo entre liberar uma horda de demônios entre o causador de sua desgraça — a coisa certa — e cometer suicídio ritual — nada bom! — é direcionar os ataques contra alguém totalmente desrelacionado com a história. Deve ser notado, claro, que muitas vezes é difícil distingüir o real causador das desgraças — isso possibilita que a auto-punição seja a atitude correta, tirando a culpa do acaso e colocando-a como um fardo nas minhas costas.
As vezes eu tenho dúvidas a respeito da perda de tempo pra atenção exagerada que eu dou à estética da escrita sobre os meus probleminhas bobos, talvez seja desperdício do desenvolvimento do cérebro humano, visto que a função primária da linguagem é a comunicação, não sua apresentação estética. LOUIS: Quer dizer que podemos viver assim, sorvendo o sangue de animais? LESTAT: Eu não chamaria isso de VIVER — mas, sim, de SOBREVIVER. A função da linguagem é comunicar? Duh, é. Agora, convenhamos, isso é totalmente desprovido da película aprazível da estética, que torna suportável tudo de horrendo que existe nesse mundo falho e imperfeito. Atentando à estética da linguagem, fazemos algo mais refinado, evoluído — vive-se. Você realmente quer levar tudo ao nível mais básico? Vá para o mato — a fétida natureza —, vista peles e cace seu alimento. O mais básico é apenas SOBREVIVER, coisa digna de animais e aborígenes. É o supérfluo, a "perfumaria" que dá alguma graça a essa tediosa existência. Não dê ouvidos aos seus desejos e expectativas. Desista de lutar por causas difíceis. Alguns preferem Dionísio a Apollo — essas pessoas estão ERRADAS. Portanto, se EU gosto dessas coisas e de sonhar com rumos diferenciados pra minha vida, não critique e poupe-me de sua choradeira chata de gente feia, sim?

sexta-feira, julho 28, 2006

Happy Birthday!!!!!


Olhaaaaaa!! Ultrapassando todos os traços egocêntricos desse blog, farei hoje um texto recheado de pronomes em primeira pessoa... Mas isso é por um bom motivo: hoje é MEU ANIVERSÁRIO!! EU estou ficando mais velha!!!
São exatamente dezoito aninhos vivendo sob esta Terra maravilhosa; tempos de paz, tempos de guerra, tempos de alegrias e conquistas. Algumas perdas significativas, e muitos ganhos ainda mais significativos. Posso me considerar completa, já que até hoje todas as minhas metas de vida foram cumpridas.
Gosto muito de falar de mim, e apesar de estar tentada a montar uma auto-biografia (afinal, o poder do teclado está nas minhas mãos), reconheço que ficaria um tanto maçante. Por isso não vou ficar narrando fatos, mas sim dizendo as impressões que eles me causaram.
Já tive fases altamente depressivas, outras mui felizes (creio estar em uma mui feliz); tenho amigos maravilhosos, literalmente “paus-pra-toda-obra”; tenho uma família sem a qual não teria aprendido o verdadeiro significado da palavra “amor”. Já tive sentimentos não correspondidos, paixões platônicas e medo de dizer o que sentia de verdade.
Aprendi que muito da vida depende da nossa força de vontade; que não há nada impossível se você se agarra às mãos do Pai; que melhor do que ser quem você gostaria de ser é assumir quem você realmente é.
Bem, apesar de querer escrever muito mais sobre “my beautiful life”, tenho compromissos a cumprir.
Eu avisei que esse texto seria extremamente egocêntrico né?!

quarta-feira, julho 26, 2006

Final de Férias

De volta de uma semana contemplativa, sem pressa, sem problemas, sem desordem química. Tanta coisa meio estática. Verde de hospital. Filme. Horas gastas na varanda com paredes de vidro lendo revistas científicas. Bons minutos no terraço vendo estrelas. Filme. Sofá. Nada de internet. Nada de atender ligações. Nada de nada. Olhar pra dentro de si e se permitir não ter no que nem em quem pensar. O homem se transformou no Coelho Branco. Sempre apressado, eternamente atrasado. E doente. Literalmente. Aquele meu sentimento de urgência deu trégua, tá tudo mais tranqüilo por aqui. Desacelerar parece dar a sensação de estar perdendo o pouco tempo que nos resta, talvez o prazer que eu sinta na minha vida venha de todo esse tempo que eu perdi até hoje, sensação de auto-transgressão. Celebração da saudade e exercício de solidão. Parece antagônico, mais isso ativa meus neurotransmissores. Se isso é bom ou ruim eu não sei, mais estou bem assim, obrigada. O resultado tem sido 1.eu não me importar mais com tudo de errôneo que ainda julgam em mim, 2. me importar de verdade com algumas poucas pessoas, 3. estou disposta a me empenhar no estudo a partir de segunda-feira. Engraçado eu me emocionar com coisas tipo um montão de eucaliptos e asfalto, tive estranhos impulsos de querer saltar da janela e procurar duendes na floresta. Se existir um manual do suicida, deve constar que é mentalmente confortável se jogar numa paisagem bucólica e morrer lentamente de fome e frio. Melhor mesmo é sentar na sarjeta pra conversar e esquecer a idéia de morte. Sabe, eu só quero ficar bem. Porque a vida passa tão rápido e todo mundo ainda fica correndo pra passar por ela, e eu não sei até quando vou viver. Não quero mais saber de pressa e nulidade de sentimentos. Quando mais rápido mais devagar. E eu não quero pensar nas expectativas e no afeto ocultamente cultivados, que por serem escondidos eu não tenha percebido. Não é minha culpa. Um dia desses eu te convido pra almoçar comigo num restaurante de slow-food.

Texto de férias num dia qualquer: "Eu odeio pessoas que não tem pé no chão odeio frases do tipo "é-pra-sempre" odeio quem diz eu te amo quando não conhece o seu pior lado odeio quando você tem tanto medo de decepcionar que acaba guardando muito do que teria pra mostrar odeio interesse escroto amo minha solidão apesar de dizer que odeio pois é o meu maior período produtivo odeio esquecer de tudo odeio estar acima do peso amo saber que eventualmente tudo vai se encaixar amo as milhões de coisas que ainda vou viver odeio o ócio que é imposto por essa vida louca odeio gostar de alguém odeio ser fria e realista amo saber superar odeio quando partes de mim morrem amo quando partes de mim morrem amo escrever odeio soar idiota odeio parecer idiota odeio não corresponder amo ser agredida amo agredir amo ser passiva amo não ter que decidir amo tomar uma iniciativa odeio tomar uma iniciativa amo discutir amo ter razão odeio ter razão amo quando não se importam amo auto-flagelação amo controlar a dor amo saber que pior do que está não vai ficar amo perder o controle das coisas amo virar os olhos amo odiar o que amam odeio odiar me odiar odeio amar o que eu fiz de ruim odeio acordar quando já está escuro amo dormir odeio inícios amo finais amo finais serem novos inícios odeio inícios serem novos finais amo saber que talvez alguém vai se encontrar aqui odeio confundir amo quando há dúvida odeio ter certeza de que alguém vai ler e se identificar odeio que não tenha nada a ver odeio ser desequilibrada amo meu desequilíbrio amo meus impulsos odeio carne odeio carisma amo boa educação amo blasé amo não falar com algumas pessoas odeio me olhar no espelho e não ter pena de nada odeio gente escrota odeio piadas escrotas odeio pseudo engraçados odeio infantilidade odeio metade das pessoas que você ama e amo metade das pessoas que você odeia amo não me privar de escrever nada odeio que as palavras não parem de surgir amo palavras difíceis odeio que pouquíssimos entendam as simples amo minorias grandes odeio maiorias pequenas amo arte amo lixo odeio pretensão odeio desligar odeio fechar odeio encerrar odeio ligar amo ouvir amo surpresas odeio pessoas acordando cedo demais odeio satisfação amo preocupação odeio pensar tanto amo ver desconhecidos em músicas odeio quando não posso escuta-las amo ser de ferro odeio fraquezas odeio mais do que amo amar o que odeio. "

terça-feira, julho 25, 2006

"Rodas em sol, trovas em dó"

"To be yourself is all that you can do"
*****Be yourself - Audioslave
Peço licença à minha professora pra partilhar o raciocínio dela. Apesar de não levá-la muito a sério na maioria das vezes – não que eu tenha antipatia por ela, mas a simpatia também não teve tempo de brotar por completo – hoje ela falou uma coisa que a fez ganhar estrelinhas no conceito desta que vos fala. Num ataque de “filósofa de fundo de quintal” (ou de seria de telefone?), disse que “na vida nós não somos nada, e a partir do momento que tomamos consciência disso, podemos crescer, aprender, e passar a ser tudo”. Tá, não foram exatamente essas palavras, mas fica mais bonitinho colocá-las entre aspas. Ela também falou que na vida somos passageiros, e que devemos aproveitar os momentos, já que quando formos embora as coisas do mundo continuarão aqui.
Nem preciso dizer que me identifiquei com o papo, né?! Afinal, estou sempre falando que somos insignificantes diante das maravilhas do mundo, e que devemos aproveitar a chance de usufruirmos de tudo isso, dar valor às pequenas coisas, a cada pôr-do-sol e a todas as estrelas do céu e blábláblá (sinto que estou começando a me repetir...). O fato é que fiquei muito feliz por encontrar alguém que compartilhe da minha concepção de mundo! Essa coisa de pensar demais acaba alienando as pessoas, e às vezes eu me acho uma completa babaca por parar e ficar analisando os pequenos detalhes do dia-a-dia. Mas se isso me faz bem, de que adianta lutar contra, não é mesmo?!
Sinto bons ventos soprando, “dias melhores sobrevindo”; seria exagero de minha parte dizer que tudo está perfeito, mas caminha para algo bem parecido com isso. Sabe quando você começa a acreditar em tudo aquilo que você prega? Então, estou conseguindo me convencer que tudo aquilo que eu acredito pode se tornar realidade. Não sei quanto tempo esse “paraíso astral” vai durar; espero, de todo o coração, que ele seja tão longo e intenso quanto os momentos que passo ao lado daqueles que realmente me fazem feliz.

domingo, julho 23, 2006

<< *!!!!!!* >>


Saldo positivíssimo. Amanhã recomeça a rotina de “ônibus-conversa-aula-conversa-aula-espera-ônibus”, e essas duas semanas de descanso foram ótimas. Praticamente hibernei, mas também aproveitei os amigos que estavam aqui: muitos filmes, muitas conversas, muito Lost, algumas aulas de francês (bem que tentamos, mas o alemão do Pretzel foi irresistível); rever a turma é sempre bom, ainda mais quando essa “turma” é recheada de pessoas que realmente moram em seu coração.
Fiz algumas promessas que não segui à risca, outras que consegui cumprir, mas o mais importante é que esse período serve pra eu me reconectar a mim mesma, redesenhar as prioridades e fazer planos que nem sempre serão cumpridos (mas só de saber que eles existem já me sinto mais confortável).
Minha companheira Gibb foi viajar (a isso deve a ausência de seus posts nessa humilde home page). Viagem muito importante por sinal, afinal ela foi conhecer nada mais nada menos do que o mais novo membro de sua família: seu sobrinho! Pensaram que fosse quem?? Algum astro do rock ou o Presidente da República? Sinto desapontá-los, mas essa tal de família ganha disparado no quesito importância. E lá está nossa amiga, numa cidade que fica perto de onde Judas-perdeu-a-cueca (falo com conhecimento de causa), ao lado da mais nova criatura que habita este mundo. Espero que ele cresça num lugar melhor que o nosso, com mais esperança, mais chocolate e menos injustiças. Seria bom se todo mundo colaborasse pra que a vida do Heitor – e de todas as outras criancinhas do Universo – valessem realmente a pena.
Enfim, foram dias de paz, dias de glória, de pequeniques e tardes ensolaradas ao lado de uma churrasqueira com muita risada, noites de festa e surpresas, filmes e faxinas, tudo muito bom. Voltaremos à rotina. Que nunca mais será a mesma.

sábado, julho 22, 2006

Aprecie sem moderação


Posso te contar um segredo???
Às vezes eu tinha medo de parecer fraca e dizer o que sinto; chorar na frente das pessoas, demonstrando o quanto elas me magoaram, ou, ao contrário, sorrir e dizer o quanto elas eram importantes pra mim.
Às vezes eu queria correr e pedir ajuda, mas o orgulho não deixava; me sentir superior acabava sendo prioridade, e ao invés de curar minhas mazelas acabava adoecendo ainda mais, mostrando pro mundo uma ‘Super-Mulher’ que não existia na realidade.
Um dia, parei e pensei:'Será que existe um remédio pra isso?!'
Depois de procurar bastante, pesquisar em tudo quanto era lugar, acho que encontrei o antídoto pra esse problemas: ele se chama SINCERIDADE.
Nada melhor pra curar essa falta de coragem do que uma boa dose de sinceridade 3 vezes ao dia. Ela te ajuda a pôr pra fora tudo o que incomoda, como um “combustível da verdade”; serve em casos de brigas, mal entendidos, cura inimizades e dores-de-cotovelo.
Também é indicada pra tratar de dores de amor, que vão desde o probleminha em se dizer o que sente até os maiores arranca rabos de casais.
Enfim, a sinceridade não tem contra-indicações: pode ser usada por qualquer pessoa, em qualquer idade, de todos os sexos e cores, e é de simples manuseio. Não custa nada, e para usa-la, é só falar aquilo que está em seu coração.
E então, quer experimentar??

terça-feira, julho 18, 2006

Beautiful day

Tudo bem simples e natural; é assim que a vida deve ser. Qualquer preocupação, por maior que seja, sucumbe diante de um belo dia de sol. O barulho da água batendo nas pedras e passando sob a ponte é quase uma sinfonia, que traça o ritmo e marca o compasso. A água do rio faz esse caminho só uma vez; talvez por isso as plantas e os animais que vivem perto dele aproveitam ao máximo os nutrientes que ela oferece. Pensando bem, na vida também é assim: muitas coisas acontecem só uma vez, e cabe a nós aproveitarmos essa oportunidade.
O som do vento passando entre as árvores é quase um sussurro; um pedido discreto, pequenas lamúrias que muitas vezes passam despercebidas, mas deveriam ser mais ouvidas, afinal, não há nada melhor do que deitar na grama, admirar o azul do céu e prestar atenção no mundo a nossa volta.
Passei o dia no paraíso, me sentindo o mais abençoado dos seres, respirando o oxigênio que acabara de ser fotossintetizado, sem nada na cabeça a não ser a perplexidade diante de tanta beleza. Uma sensação inigualável. Quase como renascer.

segunda-feira, julho 17, 2006

Biaaa!!!

Aiai, cada um corre atrás do que quer, abraça seus objetivos. Pena que eles raramente vêm correndo pra nós. Ah, esqueça a rede globo, se possível a ponto de nem ligar mais a tv, mais não esqueça que nesse mundo tem gente maquiavélica demais. Esquece também que eu não consigo mais escrever nada não desnocionista e que tudo ultimamente tem a profundidade de um pires. Não precisa obedecer ao que eu mando, faça o que quiser. Mais vamos mencionar a Bia que não está na foto, ela prestou vestibulares e se preparou pra isso. Eu quero que ela passe. Também quero passar no final do ano. Falar nisso, pensei muito sobre tudo nos últimos dias. Minha mente e meu corpo estavam implorando férias dessa vida e até de mim, acho. Hoje acordei péssima e piorei até metade da tarde, porque eu estava de péssimo humor e queria que 90% das pessoas simplesmente morressem. E talvez ainda queira isso. Na verdade, coisa alguma presta. Tudo é falho e imperfeito. O ideal está distante da realidade. O próprio corpo humano é uma porcaria que só sabe clamar por comida e acumular gordura. Em uma analogia tosca, as coisas deveriam ser como em fotos melhoradas no photoshop, com cores mais vivas e vibrantes. Infelizmente, a realidade é sem graça. Preciso arranjar um paraíso artificial e me trancar lá. Como não sei de nenhum, eu dormi e acordei com a notícia que tenho que estar em Telêmaco Borba até amanhã antes das 6 da tarde. Salve! Já está tudo certo, mala arrumada, músicas legais escolhidas e o tédio se dispersando, meu quarto tá uma Babel. O bom de notícias e viagens de última hora é que não dá tempo de esquentar muito a cabeça nem ficar ansiosa, essa viagem em particular vai ser ótima. Chega de (des)graça, não?Tou ouvindo Coldplay desde sábado e meus pés tão gelados.

domingo, julho 16, 2006

[...]

"Vou te contar /Os olhos já não podem ver /Coisas que só o coração pode entender /Fundamental é mesmo o amor/ É impossivel ser feliz sozinho/O resto é mar/É tudo que eu não sei contar/ São coisas lindas/ Que eu tenho pra te dar/ Vem de mansinho a brisa e me diz/ É impossivel ser feliz sozinho/Da primeira vez era a cidade/ Da segunda o cais e a eternidade/ Agora eu já sei/Da onda que se ergueu no mar/ E das estrelas que esquecemos de contar/ O amor se deixa surpreender/ Enquanto a noite vem nos envolver"
*Wave - Tom Jobim

(Bom, hoje estou um tanto quanto sem assunto e sem inspiração; essa música, além de um clássico, tem uma afirmativa que me atrai muito: "Fundamental é mesmo o amor/ é impossível ser feliz sozinho". Acredito que ser feliz sozinho é até possível, mas ter alguém ao lado facilita nessa empreitada. E o amor, ah, esse é, sem sombra de dúvidas, o combustível da vida.)


sábado, julho 15, 2006

Era uma vez um insulto...

...que quando foi ignorado só atingiu a pessoa q o enviou(eu). Acontece que ás vezes a gente falha e corresponde as expectativas. Não as minhas, claro. Talvez o erro não seja sua culpa, talvez seja, mais alguma lição se tira. Aprendi duas, que não se pode confiar totalmente em espelhos e que esse foi o meu primeiro plano colocado em prática dentre tantos em teoria e logo de início eu falhei, então devo tomar cuidado com o excesso de certezas. Pena que soa estranho pensar que tenho que confiar menos no que eu quero, porque era isso que me mantinha as esperanças. Soa estranho também eu ter raiva de Deus porque eu rezei tanto o tempo todo enquanto tudo dava errado. É, vira bagunça quando o que é certo falha, e eu posso dizer que perdi um pouco a noção de mim depois disso, porque eu não acho certo o meu consolo ser culpar alheios, mesmo que seja verdade, isso é coisa de doente que não gosta de ser contrariado e se ilude achando que é perfeito e que todos estão errados. Também não consigo sentir nada por quem falhou comigo e agora passa a mão na minha cabeça nem por quem torceu contra mim. Eu sempre fico me perguntando se tudo isso é real. Bem que eu podia ser louca e imaginar toda essa minha vida de forma a ter motivos pra justificar os meus medos, pra jogar a culpa das minhas limitações em outras mãos, aí era só alguém me avisar que isso tudo é minha mente brincando. O que você faz quando algo dá estupidamente errado? Você vai dizer que é prático, que vai se lembrar dos muitos pontos de progresso na sua vida, do qual bom você é, vai se conformar com a vontade do Acaso e seguir em frente. Paradoxalmente, eu sento, choro e faço aquela cara de "minha vida acabou", me desculpe. Estou incapaz de me ver mais feliz ou satisfeita na medida em que desafio os fatores externos que me limitam — pelo contrário, a amargura sempre aumenta proporcionalmente à pressão e às pragas atiradas em mim. Mas tudo tem um oposto. Tudo. E quando for a minha vez de estar por cima na roda cármica, eu vou espalhar destruição, morte e calamidade — porque eu NUNCA esqueço uma ofensa. Tá, essa ultima parte é mentira, eu não vou fazer nada disso. Por hoje e nos próximos dias eu vou ficar confortável, não conformada, do jeito que gostam que eu fique: Asséptica e estéril, um vazio congelado e estagnado, um panorama em paralisia do branco mais puro. Ordem perfeita.
É, não é dessa vez ainda. Au revoir, tenho porções de caos para pôr em ordem.

sexta-feira, julho 14, 2006

Analogia


Sou cheia de pegar exemplos esdrúxulos do dia-a-dia e transportar para um texto, não porque sou daquelas que "vê-filosofia-em-tudo-e-em-todos”, mas sim porque as idéias surgem da trivialidade.
Hoje, por exemplo, eu estava tirando sarro da minha avó porque ela não queria jogar umas quinquilharias fora. Eu estava tentando convencê-la de que aquelas coisas não serviriam pra nada, que estavam só ocupando espaço e juntando poeira. Depois parei e comecei a raciocinar, e a ver que eu também ajo dessa maneira muitas vezes; e o que é pior, não com objetos materiais, mas com sentimentos.
Durante a vida, há momentos em que o mais indicado e racional seria deixar de lado o que nos machuca e começar do zero. Como racionalidade não é lá o meu forte (e nem da maioria dos seres humanos, diga-se de passagem), acabo sempre acumulando as coisas, carregando e juntando poeira, na doce ilusão de que um dia elas serão úteis. E esse esforço normalmente é inútil, já que quinquilharias dificilmente conseguem suprir as nossas necessidades.
Assim como a casa precisa de faxina, o coração também precisa se livrar do lixo. Velhos sentimentos que já não são correspondidos, amigos que não se importam mais com você, objetivos que mesmo inúteis são perseguidos com unhas e dentes... Não adianta caminhar puxando consigo as velharias que não te deixam evoluir. Melhor seria se o novo caminho fosse percorrido sem bagagem extra, com as mãos livres para colher o que o futuro nos proporciona.

quarta-feira, julho 12, 2006

Seja como for

Ultimamente, não consigo escrever direito, eu conseguia, acho. Mais depois da guerra vem a paz, depois da paz vem a guerra. Devo estar em trégua vocabular. Irritação com o menor dos ruídos, decepção exagerada, estar exageradamente não mais afim de nada, ossos estralando, dores de cabeça, estômago e garganta dando nós, tudo faz parte da diversão. Mas que se dane — pro inferno com tudo e todos envolvidos, menos os amigos de verdade, claro, que são sagrados e tudo de bom. Eu vou desabafar o que sinto nesse instante em que me sinto mal comigo e com o mundo por falhar naquela parte de sempre ter certeza de tudo sobre mim, dessa vez pro bloco de notas. Acho que a química cerebral misturada com mal gosto somada a uns fatores e fatos externos deram origem à uma boa confusão na qual eu não sei quem culpar. Que seja, não entendo a cabecinha mentalmente fodida de algumas pessoas, com as quais eu tentei, juro, me reaproximar e mostrar que eu não sou má ou que só dou atenção as pessoas mais legais. O interessante é como põem palavras na minha boca, significados em minhas ações e justificativas para certos atos. Isso se aplica a várias pessoas e tudo isso me magoa e me descontrola ainda mais.
Sério, agora me sinto no dever de me desvencilhar das coisas que não estão me trazendo satisfação no presente momento. Já falei o que tinha de falar, já dei a atenção que tinha que dar e me dei mal o tanto que tinha que dar. Não quero mais saber de gentes desinteressantes, que se acham feios, escrevem mal e não vão para o inferno porque nem o diabo os quer. Gostou? Mais me livrar de tudo o que me incomoda, claro, é impossível porque eu mudaria o clima do planeta, o tempo, o vestibular, o piso da minha casa. É que essa semana foi ótima pra amargar o meu tédio perene, mais também me ajudou a enxergar que eu não posso reinventar a roda. Mais hoje, hoje eu tou feliz, sem motivo, só quero ser um pouco débil, talvez. Tudo vai voltar a ser como era, mas sempre sem esquecer que retaliações ocasionais podem infelizmente acontecer. Mais será como era antes.
Tá, admito sim, cometi um Erro imperdoável (telefone sem fio e desnocionista!), concordo. Minha defesa é a ocorrência de um lapso (ou transtorno esquizofrênico breve, ainda não descobri). Não sei no que eu estava pensando quando falei aquilo; ou melhor, sei: pensava em nada. Visto que algumas coisas têm um lado bom (não todas, como apregoam os otimistas), agora sei o significado de "ser psicótico" e concordo convosco. Sei lá, foi uma idéia que me ocorreu na hora. Louca? Talvez. Meio que dirigida pelos raios do caos. Certamente. Eu cheguei a pensar que tudo o que aconteceu na minha vida até hoje talvez nem foi como eu penso que foi, mais abandonei a idéia, felizmente.
Se somente Jesus Cristo foi perfeito (sem erros, enganos, idiotices), não quero parecer extraordinariamente ambiciosa para tentar, mesmo porque se eu conseguir talvez tenha que assumir alguma forma de divindade, e não quero, porque só Deus pra agüentar ouvir os pensamentos de todas as pessoas do mundo ao mesmo tempo. Eu só quero me dar ao direito de ser indiferente, de ignorar, de não me sentir culpada por me afastar de gente lerda e disléxica. Então, estudarei formas de equacionar uma maneira de saciar meus anseios. Acredito que algo (alguns) está incitando essa "espirituosidade" contida dentro de mim. Deixem-me saber se faço, ou não, progressos.

terça-feira, julho 11, 2006

Efeeieleize

Queria poder cantar o mais alto que a minha garganta suporta, trincar o vidro das janelas dos carros que passam na rua, só pra que todos pudessem perceber, pelo menos por um instante, que de nada vale a seriedade se ela te impede de ser feliz.
Já disse e reafirmo que não somos nós que crescemos; é a vida (e, principalmente, as pessoas que fazem parte dela) que nos impões certos comportamentos relativamente “sérios”. É claro que certas situações e ocasiões merecem um comportamento mais, digamos, refinado. Só que tem gente que leva a sério demais essa coisa de “ser gente grande” e acaba com a graça toda daquela tal de espontaneidade.
Se rir é o melhor remédio, achar graça da vida é o tratamento perfeito pra todos os males. Transformar o dia-a-dia numa burocracia de repartição pública é péssimo, vai tornando as coisas mais triviais simplesmente insuportáveis. Sou a favor da banalização do riso; façamos de tudo motivo de alegria. Acordar agradecendo e sorrindo pro sol que nasce; sorrir pra todos os que você encontrar na rua, mesmo que sejam desconhecidos (podem achar que você está com algum problema no começo, mas depois vão se acostumar). Sorrir com os amigos, contando piadas tontas e velhas ou lembrando das aventuras do fim de semana.
Até nas tristezas é possível achar um motivo pra dar risada; sabe aquela velha frase, “podia ser pior”? Ela realmente deve ser levada em consideração...
Sinceramente, não basta só ser feliz: tem que demonstrar. Felicidade contagia, o riso se multiplica e todos à sua volta se sentem melhor. Não tenha medo “do que vão pensar de você”. Ter personalidade e assumir aquilo que você é tem um preço, e pagá-lo nem sempre é fácil. Mas olhar pra trás e ver tudo o que você plantou frutificando e todos ao seu redor com um sorriso no rosto é a melhor recompensa que se pode esperar.

segunda-feira, julho 10, 2006


‹Sabe quando o dia fica nublado?›

domingo, julho 09, 2006

Rememoranças


Um traço muito forte da minha personalidade é o apego ao passado. Não no sentido de me agarrar às coisas que já se foram, mas sim de lembrar das experiências que vivi. E essa veia nostálgica se acentua em datas simbólicas, como final de semestre e final de ano; sou tipo a Rede Globo, ligada em “Retrospectivas”. Talvez por isso tenha resolvido fazer uma agora. Ehhhh amigos, vou colocar no papel (ou na tela, sei lá, a modernidade às vezes me confunde) os últimos tempos de minha singela existência (poutz, isso ficou um tanto quanto tosco, mas ta valendo).
Há um ano, eu estava na TPV – tensão pré-vestibular; louca e desvairada, meio depressiva, com medo e chorando mais que atriz de novela mexicana. Sempre falo isso, não pra que as pessoas sintam pena ou coisa do gênero, mas pra mostrar como a fé me fez mudar. Eu acredito que foi nessa fase tão perdida que eu me encontrei. Minha pseudo crença se transformou em confiança, e hoje eu aprendi que acreditar é não duvidar que tudo o que acontece na vida tem um motivo e ninguém mais do que Ele está disposto a nos ajudar nos momentos de necessidade.
Muita coisa mudou de lá pra cá; passei seis meses em lua-de-mel comigo mesma, e depois, tchanam: a FACULDADE. Demorou um pouco pra que eu percebesse onde estava, afinal de contas tudo aquilo era quase um mito, e de repente me vi lá dentro, cercada de desconhecidos. Depois de seis meses, algumas provas, algumas noitadas, muitas conversas, grande parte desses “desconhecidos” já são importantíssimos na minha vida. Encontrei pessoas que se sentiam como eu, outras que têm histórias completamente diferentes; aprendi o verdadeiro significado da palavra “estudar”. Aprendi que “Nem só de Direito vive o homem”. Percebi que a vida é praticamente uma montanha-russa. Com direito a looping.
Nessa nova etapa, os amigos da “velha guarda” estão firmes e fortes, as relações verdadeiras são duras como rochas; quem realmente merece permanece e se integra à nova realidade, porque somar amigos é muito melhor que subtraí-los.
Bem, isso foi quase um diário, “Minhas Lembranças”, mas tá valendo. Eu gosto de sentar e colocar a minha vida em símbolos gráficos, palpáveis e reais não só para mim.
Fazendo um balanço dos últimos 365 dias, fica difícil dizer qual foi o melhor; tantas coisas aconteceram, muitas que até hoje eu não consegui compreender. Mas posso ressaltar que tive muitas e muitas alegrias. Sinceramente, apesar dos altos e baixos dessa vida, posso me considerar uma pessoa abençoada.

sábado, julho 08, 2006

Sem título de novo

Não quero mais definir as coisas. Cansei. Pelo menos o convívio por algumas horas entre os vermes em uma esterqueira abafada essa semana me mostrou que beleza não segue formulas ou balizadores confiáveis: assim, conceitos errados passam por certos, digo, "o que é bonito para mim pode não ser para outrem", usando o bafafá policamente correto. Isso serve pra todo tipo de beleza, se é que se pode chamar assim. A busca individual pela beleza segue caminhos tão opostos pra cada tipo de pessoa, e eu não consigo aceitar isso. Então, como não consigo, não vou mais me esforçar. E o fim vai ser “E viveram indiferentes para sempre”. Não todos, claro. As minhas pessoas têm beleza física, de caráter e moral neutras. Neutras como a minha consciência.
Ahn, sinto que dias melhores virão sabe? Mesmo assim, mesmo assim! Teimam em me causar insegurança quanto a qualquer coisa nova que venha, maaas digamos em coro: dane-se-pessoinha-medíocre--retentiva-niilista-bi-bi-bi-kaboom-kaboom. É, semana que vem eu tiro carta! Seja como for, esqueci do motivo de minha raiva de tempos atrás — bipolaridade é ótima.
Pois bem, "Beethoven" — posso te chamar de "Bee"? Ótimo! —, a "parada" é a seguinte — eu tava lembrando de uma Audição em que eu tive que apresentar a sua biografia em síntese, era tudo tão chato, mais eu achei meus livros velhos e fiquei com saudades, mas, ultimamente prefiro William Basinski, porque é mais down e chato pra uma pessoa normal.
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Programação interrompida para o Momento ti-ti-ti:
Genteeee, a novela das 9 vai acabar, talvez o tanto de pêlos no peito e na cara que o Tony Ramos teve que perder devido ao visual do personagem sejam suficientes para fazer uns 2 ou 3 capachos para a porta de entrada daqui de casa— o "Bem-Vindo" estampado é opcional, pode ser substituído por “Se tiver algo de mortalmente importante a comunicar, mande-me um memorando — eu leio amanhã. com o resto da correspondência”.

Ouvindo: Flores do Mal-Legião Urbana; Eu to tentando-Kid Abelha.

sexta-feira, julho 07, 2006

Infinita Highway


Uma hora por dia, cinco dias por semana, 20 dias por mês (com algumas faltas), 10 meses por ano, durantes cinco anos. Contabilizando minhas idas e voltas da faculdade, serão aproximadamente, hum, deixe me ver...(calma, faço Direito e não Matemática)..............pronto: serão 5 mil (!) horas, ou, se preferirem, 208,3333333333333333333333333 dias inteiros dentro de um ônibus. Horas de alegrias, de risadas e cantorias, de “papos-cabeça”, de cochilos, de MP3 nos ouvidos quase ensurdecendo, de algumas lágrimas caindo na escuridão da última poltrona, da lanterninha acesa enquanto você tenta colocar a matéria da prova na cabeça nos últimos 20 km. Pode parecer entediante fazer o mesmo caminho todos os dias, ver as mesmas pessoas, sentar no mesmo banco. Mas, por mais que eu reclame de ter que me submeter a isso diariamente, é só olhar de maneira diferente pra ver como cada viagem se torna especial. A cada dia, eu noto uma coisa diferente, que tinha passado despercebida no dia anterior; uma árvore aqui, uma estrada paralela ali, um buraco acolá. Na ida imagino como será a noite, se as aulas vão ser boas ou se o professor vai faltar, se vai dar tempo de terminar o trabalho ou se o livro que eu preciso ainda está na biblioteca. Penso se todos os meus amigos estarão lá pra que possamos conversar, e matar as saudades em alguns poucos minutos de “Oi? Tudo bem?” no meio do corredor, dar um beijo e um abraço e com isso já ganhar a noite.
Na volta, faço o balanço de tudo o que vi e ouvi, de tudo o que aprendi, penso nas pessoas que não encontrei e naquelas com quem gostaria de ter gasto mais meu tempo, ao invés de ficar ouvindo sobre a “realidade ôntica da norma”. Olho pro céu, fico admirando as estrelas e a lua, as luzes da cidade que formam uma colcha de pontos brilhantes, e percebo como sou insignificante diante das maravilhas do mundo. Me perco em pensamentos alimentados com uma “trilha sonora noturna”, olhando pra estrada que se faz e desfaz num emaranhado de curvas e retas, muitas vezes sem conseguir ver o que vem à frente. A vida é assim também, muitas vezes perdemos de vista o nosso objetivo, mas continuamos o caminho. Como diria o célebre cantor popular, nessas músicas meio bregas que dizem tudo: “Nessa longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar; na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar”. E é assim mesmo; a longa estrada não pode deixar de ser percorrida, mesmo com suas lombadas e buracos.
Pensando bem, esses momentos de reflexão proporcionados pela minha caravana diária são impagáveis; pode ser que eu enjoe, mas com certeza eles serão inesquecíveis.
P.S.: pensei em colocar aqui um trecho de “Infinita Highway”, dos Engenheiros do Hawaii, que ilustraria bem a situação. O problema é que eu não consegui escolher a melhor parte, porque pra mim “a melhor parte” é a música toda. Então, pra quem quiser escolher a SUA melhor parte, é só lê-la em:

quarta-feira, julho 05, 2006

“Tão tonto que sou, eu enviesado, enfim que é que há de se fazer senão meditar para criar aquele vazio pleno.” Clarisse Lispector


Problema. Se um dia eu encontrar em outras mãos os meus problemas resolvidos embalados com papel de presente e um laço, não seriam mais meus, nem o problema, nem a solução? Já pensou nisso? Exemplo: quando eu estudava piano eu queria tocar igual a um primo, se um dia ele me desse a sua capacidade de tocar seria perfeito, mais nada daquilo seria meu por esforço e talento, ele teria que me dar até mesmo suas lembranças referentes a cada música e a sua personalidade.
Capacidade X Covardia

O primeiro tempo deu 1X0. Não me pergunte pra quem. Não me pergunte por que. Eu sei que eu sou extrovertida não-praticante, louca não-praticante, indignada, pra não escrever revoltada aqui, não-praticante e pensativa praticante. Hoje eu vou comentar umas coisas que eu e vc escutamos. 1- “Há males que vêm para o bem.” Comment: a maioria vêm para o mal mesmo. 2- “Quem ri por último...” Comment: não ri melhor, ou é surdo ou retardado. 3- “Macaco que muito pula” Comment: deve ter crise existencial, não se aceitar e quer ser um canguru. Isso tudo não é só pra males, risos e macacos, reflita. Reflexão. Toda reflexão é pensamento, mas, nem todo pensamento é reflexão. Eu sei que a vida é muito simples e não precisa de tantos problemas, tantos filósofos, tantos doentes e tantas noites sem sono. Sei mais não sei como é. Acho que se a vida fosse só nascer e morrer, dava pra viver isso em menos de uma semana, mesmo se fosse ainda iam reclamar, mais ainda. Então o caminho é simples, você nasce e vai morrer. Não sabe que vai nascer mais sabe que vai morrer, haha. Mais como é meio longo o período entre esses dois fatos, então tem que criar voltas, curvas, loopings, quebra-molas. Aí surgem os problemas, os filósofos e a insônia. De qualquer forma, sempre vai existir um vaziozinho que destoa. Complicado assim. Capacidade todos temos, covardia também, cada um atrofia ou exercita o que quiser. Boa noite.

terça-feira, julho 04, 2006

Se


Se eu fosse uma canção, seria daquelas que tem uma melodia calma, mas ao mesmo tempo forte, que te faz relaxar e pensar em coisas felizes, te transporta pra outra realidade. Seria a sua “música favorita”, que mesmo depois de muito tempo ainda tem um significado especial, que te traz boas lembranças e faz com que a vida se torne mais bonita.
Se eu fosse um dia, seria aquela tarde de verão com o sol a pino, que de repente se transforma numa chuva forte, mas reconfortante. Nessa tarde de sol-e-chuva (como diria vovó, “de casamento de viúva”), te daria um bom banho, não um banho de água que só te molharia, mais um banho de vida que te deixaria mais forte. Lavaria a sua alma com as minhas gotas, te faria sentir o quanto as coisas simples nos completam e nos realizam.
Se eu fosse um pássaro, seria uma fênix. Voaria alto, sentiria o vento em minhas asas e a liberdade que isso proporciona. Depois, seguiria o meu destino e me transformaria num monte de cinzas, pra depois ter o prazer de renascer ainda mais forte.
Mas, como eu ainda sou “eu”, escolho ser tudo o que puder: a tranqüilidade de uma boa canção, a força de uma chuva de verão, a determinação da fênix, que não teme em renascer todas as vezes que a vida a faz desaparecer, e tudo mais que me parecer conveniente. Afinal, o meu livre arbítrio serve pra isso: me dar oportunidades pra ser feliz, da maneira que eu escolher. E se, de lambuja, eu ainda carregar mais gente na minha felicidade, posso me considerar completa.

segunda-feira, julho 03, 2006

me, myself and...so much others

Final de semana estranho. Acordei já lembrando que tinha que escrever hoje. Pensei nisso de manhã, à tarde, agora à noite, mais nem consegui ter idéia de nada. Isso comprova que pensar demais não resolve nada. A Tais tá em semana de provas e eu penso bastante nisso, mais não ajudo em nada. No final o resultado sempre dá “nada”, todos os caminhos levam à mesma solução, que na verdade nem solução é. Não vou adicionar mais complexidade nisso, o problema é que eu me vejo numa situação aonde deveria fazer algo, e rápido, porque a pessoa Amelie em mim vocifera e implora pra que eu tente ser menos inútil. Mais.... mais......a pessoa Erthalzinha-paranoíca cochicha: eu tenho medo, é MEDO, de entrar de repente na vida de alguém e mudar seus rumos, e pode acontecer de dar tudo errado. Então a pessoa J´-assume-la-faute-de-tout-de-mauvais-ce-que-arrive-inclusivement-pour-le-mort-de-mon-arrièrre-grand-père, vai me acusar de destruir a vida de uma pessoa, mesmo que a minha visão supostamente ilusória da realidade me permita pensar e ter certeza de que as conseqüências serão evidentemente auspiciosas. Fui dramática e exagerada como sempre, o negócio é que eu tenho a oportunidade de criar uma oportunidade de aconselhar alguém com problemas equivalentes aos meus, um pouco mais fofos apenas, que tem os medos que eu já tive/tenho, acabar com essa pseudo-amizade e de quebra acabar com o meu eu Egocêntrico-blasé que vive achando que as minhas neuras são singulares e insolúveis como café em água gelada. 33,3% dos que foram mencionados não fazem a mínima idéia do que se trata, os que não foram mencionados também. Sorte a minha de ter um pé lá outro cá no quesito “conhecidos”, então ninguém “cá” nem “lá” pode achar que sabe do que eu tou falando. Pode ser inútil, pode mudar muita coisa e pode ser que eu desista da idéia daqui a pouco, mais eu realmente me preocupo com pessoas que eu sei que merecem, que eu gosto mais nunca demonstrei, que eu vejo que precisam de alguém pra contar coisas e desabafar umas blasfêmias e eu tou aqui parada e pensando. Tem outra coisa, eu1 realmente não acredito que posso fazer diferença nisso, mais eu2 se sente egoísta se não tentar algo. Again, enjoy the self-image crisis. Vamos mudar de assunto, Patrick Wolf é perfeito, hoje eu baixei Pumpkin soup(eca!), a música é ótima, já o cardápio da infância dele eu não sei. Que autista-esquizofrênica, vc tá falando com o Word! Mais eu vou durmir cedo hoje e preciso de um texto. Ah , eu não queria escrever isso tudo, mais só penso nisso no momento. Pensar enlouquece. Pense nisso.

domingo, julho 02, 2006

Vambora!!


Vem!
Mas não venha assim, com essa cara de bravo, como se caminhar ao meu lado fosse um martírio eterno; quero você correndo ao meu encontro com um sorriso no rosto, braços abertos pra me receber no aconchego do seu coração.
Andaremos de mãos dadas por caminhos desconhecidos, algumas vezes escuros e sombrios, outras ensolarados e com uma sinfonia de pássaros fazendo a nossa trilha sonora.
Não, eu não quero cometer os mesmos erros e esquecer de que pra ser feliz com você precisarei antes de tudo me amar, me aceitar e me admirar; mas eu também não quero fazer da minha vida um “solitário andar por entre a gente” com muito amor próprio mas se um alguém pra me segurar quando eu tropeçar.
Vem!
Eu esqueço o passado e você também, as feridas cicatrizarão e aqueles que se sentiram prejudicados por nossa causa aos poucos vão perceber que melhor do que uma pseudo-felicidade é uma temporada de lágrimas que farão brotar o verdadeiro afeto. Se fomos feitos pra caminhar de mãos dadas, porque insistir em ter como companheiros dessa viagem alguém que não permanecerá conosco até o fim?!
Vem!
Se eu chorar e você rir do meu nariz vermelho, não faz mal; se você se empolgar com a música e dançar em cima da mesa, eu subo e danço com você. Afinal de contas, buscamos um mesmo objetivo, cremos no poder Daquele que olha por nós e somos guiados pelo coração.
Vem!
Eu queria ter tido a coragem de te chamar mais cedo, naquele mesmo dia em que eu percebi o quando a sua vida já fazia parte da minha... mas infelizmente eu não tive a coragem dos fortes e a força dos sábios, que os desteme frente aos desafios da vida. Mas estou aqui, coração aberto, pronta pra ser a sua companhia hoje e sempre, pronta pra dizer o que eu sempre quis e não sabia se você estaria pronto pra ouvir.
Vem!
Não tenha medo de jogar pro alto algo tudo que está tão precariamente de pé...
E agora?! Posso contar com você?!

sábado, julho 01, 2006

Eu não sou boa em falar de religião em público, parece que o dom que eu tenho pra comediante toma conta de mim, hoje eu perguntei se Hitler e outros malvados vão se juntar ao anti-cristo no fim do mundo e falei que descobri que o nosso planeta é pop aos olhos do cosmos, todos riram da expressão e a professora anciã disse"muito bom, adorei". Mais vou falar de outra coisa. Um dia vão inventar uma religião que alveje toda a humanidade das coisas ruins que ela cultiva. E quem fizer isso não será pastor, nem cardeal, nem padre, nem nada que o valha. E os seres sobrenaturais de poderes espirais alimentados pela tradição irão desaparecer, para dar lugar a um Deus, com o qual crescemos e sonhamos, sem perceber. Não barbudo, sem cedro na mão e sem canto gregoriano de música de fundo. Ele não vai permitir o nascimento de bebês como o Ronaldinho Gaúcho e como os argentinos. E não seremos obrigados a orar todos os dias antes das refeições, ao acordar e ao dormir. E não vai ser pecado buscá-lo nos momentos de ansiedade. Poderemos gritar e chorar com ele, acreditar que ele realmente possa ajudar. Aí Ele vai dar um jeito nessas pragas que nos perturbam, que nós mesmos criamos, vai nos libertar da incredulidade.
Temeremos a esse Deus e não seremos drama queens do tipo: "Oh, cometi um pecado horrível!" ou "Não há salvação para minha alma!" simplesmente exclamaremos:"Fiz cagada" e "Estou na merda". E a religião não vai ser tachada de ópio, nem de fuga pros covardes. E teremos fé, para nos reconfortar quando achamos que tudo está perdido. E Deus não será como os chefes, que temos medo de fazer algo errado e sermos despedidos ou ter desconto no salário, que não sabemos o que exatamente pensa de nós porque só nos conhecem em partes e que somos obrigados a cumprir horário, sem faltar nem se atrasar.
Ahn, e pra complementar, bem que ele podia trazer todo mundo de longe pra cá. Porque muitos dos meus problemas são espaciais — teriam de ser quebradas umas duas ou três leis da Física para conseguir resolver, e todos sabemos que é de péssimo tom sair burlando tais leis. Eu, pessoalmente, acho punível com repreensão moral e cara feia com testa franzida e nariz torcido — ninguém de respeito socializa com aqueles que desrespeitam leis da Física, é fato.