Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

quarta-feira, agosto 16, 2006

Pour une torrasque de cartola

Quem tem medo do Keblak, O fantasma de frango da Indonésia que assusta as pessoas à noite com sons de asas batendo? Eu não. Mas temos medo de muitas outras coisas bobinhas. Existimos a uns 100 mil anos e ainda não sabemos viver direito. Todo mundo finge que não se sente só, que não tem medo. Ninguém corre atrás de ninguém nem salta de prédios por puro platonismo não correspondido. Medo de falar. Medo de descer os degraus e correr de encontro. Porque dar as mãos e os braços pra alguém é se abrir pro mundo e é correr risco de vida, ou de morte. Tempo gasto com rascunhos de palavras mal ditas. Malditas. Um dia você vai sair pelas ruas procurando alguém certo pra conversar, pra ficar pro resto da vida te ouvindo. E vai ouvir risos ríspidos de velhos. Interiores, introvertidos. Andar pelo mundo prestando atenção em cores e coisas sem saber o nome delas. Ver pessoas andando pra lá e pra cá, mas pra onde elas estão indo? Em que elas estão pensando? Será que estão pensando? O que estão observando? Estão vendo o mesmo que eu? E eu? O que estou vendo? Será que o seu pensamento veio até mim também? Será que você está pensando em mim? Será que você já parou pra pensar em mim? Tentativa de forjar uma existência significativa. Talvez um dia, no meio de todo o mundo desse mundo você passe, e eu sangre os ossos, os olhos. Por não ter lembranças nem cartas suas nem memória, por você não saber meu nome. Talvez o banco sempre estivera vazio, dizia a sentença que a cada dia se fazia mais leve sobre seus ombros cansados. Hesitante por não mais que meio segundo, você voltou atrás. E, sentado, começou a contar: um, dois, três. Restou-lhe fechar os olhos, mas quando os abrira, já não sabia mais o que significavam os passos leves que levaram sua garota para longe dali. Teria sido um talvez? Ela voltaria depois? Por um momento não sabia quem partira, quem esperava.. e por quem? Antes de começar a sussurrar suas músicas antigas, você se assustou. Real ou imaginária, perfeita ou incompleta? Os olhos de menino seriam então buracos negros, o caminho e a força que levariam a... a algum lugar a que sempre desejou muito chegar. No final, sobra somente você e seu abismo. Aí é só juntar os cacos com uma vassoura e jogar no lixo.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Lindo.......perfeitamente triste...pois eh a nossa realidade idiota...onde nos sentimos extremamente só. Mas fingimos viver bem...mesmo não tendo com quem conversdar ou quem ouvir...
Leia o meu perfil no orkut e vera como o soneto do augusto dos anjos (nihilista) e me diga o que acha?
Claro que ele apela....mais ele naum estaria certo?
bjs

9:32 PM  
Anonymous Anônimo said...

sou Keblak agora! hauhauhaua
tudo isso por causa de uma "perda"! no bus..... quem diria q ia se tornar algo assim tao covalente.
bjo

8:34 PM  

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