Freud nem precisa explicar

Quem precisa de análise quando se tem uma poltrona de ônibus, um bom par de ouvidos e a escuridão da noite como confidentes? Essa é a hora em que mais penso sobre as coisas que me afligem; parece que a noite não tem pudores e nem faz temer a exposição; porque não é fácil admitir pra alguém aquilo que nem você tem coragem de acreditar que sente.
Se amigos são espelhos, são úteis também pra ajudar a enxergarmos melhor os nossos problemas. Mas tem horas em que, apesar de sabermos o mal, não temos a cura. De nada adianta jogar as coisas sobre a mesa, pois não existe nada exterior que possa resolver; e quando a cura é interior, tudo de torna ainda mais complicado.
Acredito, porém, que os primeiros passos estão sendo dados; descobri informações relevantes sobre mim mesma, meus boicotes interiores e as situações que crio para (tentar) não me machucar, e que acabam me fazendo sofre ainda mais. Sabe aquela coisa de sempre esperar algo melhor e por isso mesmo deixar de viver muita coisa que o presente oferece? Ou então apostar todas as suas fichas em algo tecnicamente improvável só pra não ter a decepção de uma tentativa frustrada?! É isso aí, bem vindo ao clube. Não o clube dos covardes, e sim o clube daqueles que pensam demais – e todo mundo sabe que quem pensa demais acaba indo sempre pro mesmo lugar.
Na realidade, nem tudo está perdido. Apesar de me sentir presa a traumas que nem são meus – bem por isso merecem ser deletados – tentarei me esforçar ao máximo para mudar. Porque tem certas coisas que só dependem da gente. Ter coragem, correr atrás do que se deseja e acreditar que é possível. Não ter medo de arriscar e dar a cara a bater. Não se prender a ilusões nem a pseudo-sentimentos por medo de algo verdadeiro.
Se é fácil, só saberemos se a oportunidade surgir e nós a aproveitarmos. Talvez encarando as coisas com mais coragem passemos a viver em plenitude.

1 Comments:
Dar a cara a bater. mais dar a quem.rs.
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