Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

sexta-feira, julho 07, 2006

Infinita Highway


Uma hora por dia, cinco dias por semana, 20 dias por mês (com algumas faltas), 10 meses por ano, durantes cinco anos. Contabilizando minhas idas e voltas da faculdade, serão aproximadamente, hum, deixe me ver...(calma, faço Direito e não Matemática)..............pronto: serão 5 mil (!) horas, ou, se preferirem, 208,3333333333333333333333333 dias inteiros dentro de um ônibus. Horas de alegrias, de risadas e cantorias, de “papos-cabeça”, de cochilos, de MP3 nos ouvidos quase ensurdecendo, de algumas lágrimas caindo na escuridão da última poltrona, da lanterninha acesa enquanto você tenta colocar a matéria da prova na cabeça nos últimos 20 km. Pode parecer entediante fazer o mesmo caminho todos os dias, ver as mesmas pessoas, sentar no mesmo banco. Mas, por mais que eu reclame de ter que me submeter a isso diariamente, é só olhar de maneira diferente pra ver como cada viagem se torna especial. A cada dia, eu noto uma coisa diferente, que tinha passado despercebida no dia anterior; uma árvore aqui, uma estrada paralela ali, um buraco acolá. Na ida imagino como será a noite, se as aulas vão ser boas ou se o professor vai faltar, se vai dar tempo de terminar o trabalho ou se o livro que eu preciso ainda está na biblioteca. Penso se todos os meus amigos estarão lá pra que possamos conversar, e matar as saudades em alguns poucos minutos de “Oi? Tudo bem?” no meio do corredor, dar um beijo e um abraço e com isso já ganhar a noite.
Na volta, faço o balanço de tudo o que vi e ouvi, de tudo o que aprendi, penso nas pessoas que não encontrei e naquelas com quem gostaria de ter gasto mais meu tempo, ao invés de ficar ouvindo sobre a “realidade ôntica da norma”. Olho pro céu, fico admirando as estrelas e a lua, as luzes da cidade que formam uma colcha de pontos brilhantes, e percebo como sou insignificante diante das maravilhas do mundo. Me perco em pensamentos alimentados com uma “trilha sonora noturna”, olhando pra estrada que se faz e desfaz num emaranhado de curvas e retas, muitas vezes sem conseguir ver o que vem à frente. A vida é assim também, muitas vezes perdemos de vista o nosso objetivo, mas continuamos o caminho. Como diria o célebre cantor popular, nessas músicas meio bregas que dizem tudo: “Nessa longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar; na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar”. E é assim mesmo; a longa estrada não pode deixar de ser percorrida, mesmo com suas lombadas e buracos.
Pensando bem, esses momentos de reflexão proporcionados pela minha caravana diária são impagáveis; pode ser que eu enjoe, mas com certeza eles serão inesquecíveis.
P.S.: pensei em colocar aqui um trecho de “Infinita Highway”, dos Engenheiros do Hawaii, que ilustraria bem a situação. O problema é que eu não consegui escolher a melhor parte, porque pra mim “a melhor parte” é a música toda. Então, pra quem quiser escolher a SUA melhor parte, é só lê-la em:

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

eh, tantos dias repetidos, mais nao deixa nada pra tras sem fazer pq senao o arrependimento vem dps q tudo isso passar neh.... essa musica, poutz eu adoro,heheeh

11:18 AM  

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