Filosofia de Telefone

A linha que conecta pensamentos

quarta-feira, julho 26, 2006

Final de Férias

De volta de uma semana contemplativa, sem pressa, sem problemas, sem desordem química. Tanta coisa meio estática. Verde de hospital. Filme. Horas gastas na varanda com paredes de vidro lendo revistas científicas. Bons minutos no terraço vendo estrelas. Filme. Sofá. Nada de internet. Nada de atender ligações. Nada de nada. Olhar pra dentro de si e se permitir não ter no que nem em quem pensar. O homem se transformou no Coelho Branco. Sempre apressado, eternamente atrasado. E doente. Literalmente. Aquele meu sentimento de urgência deu trégua, tá tudo mais tranqüilo por aqui. Desacelerar parece dar a sensação de estar perdendo o pouco tempo que nos resta, talvez o prazer que eu sinta na minha vida venha de todo esse tempo que eu perdi até hoje, sensação de auto-transgressão. Celebração da saudade e exercício de solidão. Parece antagônico, mais isso ativa meus neurotransmissores. Se isso é bom ou ruim eu não sei, mais estou bem assim, obrigada. O resultado tem sido 1.eu não me importar mais com tudo de errôneo que ainda julgam em mim, 2. me importar de verdade com algumas poucas pessoas, 3. estou disposta a me empenhar no estudo a partir de segunda-feira. Engraçado eu me emocionar com coisas tipo um montão de eucaliptos e asfalto, tive estranhos impulsos de querer saltar da janela e procurar duendes na floresta. Se existir um manual do suicida, deve constar que é mentalmente confortável se jogar numa paisagem bucólica e morrer lentamente de fome e frio. Melhor mesmo é sentar na sarjeta pra conversar e esquecer a idéia de morte. Sabe, eu só quero ficar bem. Porque a vida passa tão rápido e todo mundo ainda fica correndo pra passar por ela, e eu não sei até quando vou viver. Não quero mais saber de pressa e nulidade de sentimentos. Quando mais rápido mais devagar. E eu não quero pensar nas expectativas e no afeto ocultamente cultivados, que por serem escondidos eu não tenha percebido. Não é minha culpa. Um dia desses eu te convido pra almoçar comigo num restaurante de slow-food.

Texto de férias num dia qualquer: "Eu odeio pessoas que não tem pé no chão odeio frases do tipo "é-pra-sempre" odeio quem diz eu te amo quando não conhece o seu pior lado odeio quando você tem tanto medo de decepcionar que acaba guardando muito do que teria pra mostrar odeio interesse escroto amo minha solidão apesar de dizer que odeio pois é o meu maior período produtivo odeio esquecer de tudo odeio estar acima do peso amo saber que eventualmente tudo vai se encaixar amo as milhões de coisas que ainda vou viver odeio o ócio que é imposto por essa vida louca odeio gostar de alguém odeio ser fria e realista amo saber superar odeio quando partes de mim morrem amo quando partes de mim morrem amo escrever odeio soar idiota odeio parecer idiota odeio não corresponder amo ser agredida amo agredir amo ser passiva amo não ter que decidir amo tomar uma iniciativa odeio tomar uma iniciativa amo discutir amo ter razão odeio ter razão amo quando não se importam amo auto-flagelação amo controlar a dor amo saber que pior do que está não vai ficar amo perder o controle das coisas amo virar os olhos amo odiar o que amam odeio odiar me odiar odeio amar o que eu fiz de ruim odeio acordar quando já está escuro amo dormir odeio inícios amo finais amo finais serem novos inícios odeio inícios serem novos finais amo saber que talvez alguém vai se encontrar aqui odeio confundir amo quando há dúvida odeio ter certeza de que alguém vai ler e se identificar odeio que não tenha nada a ver odeio ser desequilibrada amo meu desequilíbrio amo meus impulsos odeio carne odeio carisma amo boa educação amo blasé amo não falar com algumas pessoas odeio me olhar no espelho e não ter pena de nada odeio gente escrota odeio piadas escrotas odeio pseudo engraçados odeio infantilidade odeio metade das pessoas que você ama e amo metade das pessoas que você odeia amo não me privar de escrever nada odeio que as palavras não parem de surgir amo palavras difíceis odeio que pouquíssimos entendam as simples amo minorias grandes odeio maiorias pequenas amo arte amo lixo odeio pretensão odeio desligar odeio fechar odeio encerrar odeio ligar amo ouvir amo surpresas odeio pessoas acordando cedo demais odeio satisfação amo preocupação odeio pensar tanto amo ver desconhecidos em músicas odeio quando não posso escuta-las amo ser de ferro odeio fraquezas odeio mais do que amo amar o que odeio. "

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Olá! visite também o meu blog:
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5:11 AM  
Anonymous Anônimo said...

pelo visto oa dias de isolamento te fizera mto bem!! heheheh
bons papos sentadas na sargeta e tomando sorvete... isso é q é felicidade!!!!!!
estava com saudades!

8:11 AM  

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