Nostalgia

Não posso começa com aquele papinho de “minhas melhores lembranças da infância são da casa da minha avó” porque eu sempre morei com a minha avó; mas eu adoro relembrar a minha infância porque ela foi muito boa (e muito longa por sinal – parei de brincar de boneca com quase quatorze anos, mais por falta de companhia do que por falta de vontade). Sempre adorei vestir a camisa e ser criança: brincava na rua de esconde-esconde, pega-pega, polícia-e-ladrão e similares; até inventava uns jogos novos, como o “Uga-uga” (bem antes da novela). Era viciada na Barbie, acho que enjoei de louras por causa disso... Ser criança é bom, porque você come sem preocupação de engordar, corre descalça e não se importa de sujar os pés ou ter varizes, não quer saber a procedência do doce da padaria... criança não tem frescuras.
Criança também é sincera. Quem nunca ouvir falar que criança fala o que pensa sem medir as conseqüências? Se ela te acha chata, feia ou gorda, ela fala. E ponto. Criança não faz média, não puxa-saco e é feliz assim. Criança descobre o mundo todos os dias, acha incrível o arco-íris no céu e a máquina de fazer sorvete do Mc Donald’s. Criança chora, chora, e depois de cinco minutos sai correndo pra brincar; criança briga e faz as pazes antes que os adultos tenham tempo de perguntar o porquê da briga.
Deve ser por isso que eu quero ser criança pra sempre; encarar a vida todos os dias com aquele olhar de admiração, não me deixar abater por qualquer bobagem, rir de mim mesma, comer o que der vontade e me dar o direito de parecer louca. Falar a verdade sem ligar pro que os outros vão pensar e correr na chuva pra espantar o mau humor. Não quero que me conheçam pela idade, mas sim pelas atitudes que eu tiver em relação à realidade. Ter o coração de uma criança é a maneira de se levar a vida sem enlouquecer.

1 Comments:
me promete q vc nao vai crescer?
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